O Brasil está apaixonado por marcas chinesas — a The Economist reparou, e o dinheiro comprova. Aqui está o mapa dos números: os US$ 6,1 bi de investimento, a BYD nº 1, a fábrica na Bahia, a guerra do delivery e a nuance honesta, com as fontes.

Os números

  • US$ 6,1 bi — de investimento chinês no Brasil em 2025 (+45%) — o maior destino do mundo naquele ano (10,9% do total chinês), à frente dos EUA
  • 130 mil+ — carros BYD vendidos no Brasil desde 2021; virou a marca nº 1 em vendas em abril/2026 e faz ~9 de cada 10 elétricos
  • R$ 5,5 bi — a fábrica da BYD em Camaçari (BA), no antigo terreno da Ford — a maior de carros elétricos da América Latina
  • R$ 2 bi + US$ 1 bi — a guerra do delivery: 99Food (do chinês DiDi) x Keeta (do chinês Meituan) brigando pelo mercado brasileiro
  • US$ 171 bi — o comércio Brasil-China em 2025 — mais que o dobro do comércio com os EUA; China é o maior parceiro há 16 anos
  • US$ 85,5 bi — o investimento chinês acumulado no Brasil de 2007 a 2025, em 355 projetos (energia, mineração, automotivo)

A manchete que virou assunto

A manchete que virou assunto
Crédito: BYD Dolphin (elétrico vendido no Brasil) / Wikimedia Commons

Em julho de 2026, a The Economist publicou que 'os brasileiros estão loucos por marcas chinesas', resumindo o brasileiro de classe média alta que dirige um BYD, usa um Huawei, assiste numa Hisense, pede comida no 99 e compra na Shopee. A revista chegou a dizer que muitos acham que a China tem tecnologia melhor que a dos EUA — uma virada e tanto na percepção sobre 'produto chinês'.

US$ 6,1 bilhões: o Brasil, maior destino do mundo

US$ 6,1 bilhões: o Brasil, maior destino do mundo
Crédito: Avenida Paulista, São Paulo / Wikimedia Commons

Empresas chinesas investiram US$ 6,1 bilhões no Brasil só em 2025 (alta de 45%), fazendo do Brasil o maior destino de investimento chinês do mundo naquele ano — 10,9% de todo o capital que a China mandou para fora, à frente até dos Estados Unidos. O estoque acumulado de 2007 a 2025 chega a US$ 85,5 bilhões em 355 projetos, liderados por energia elétrica, mineração e automotivo.

A ponta de lança: a BYD (e a fábrica na Bahia)

A ponta de lança: a BYD (e a fábrica na Bahia)
Crédito: Linha de montagem da BYD em Camaçari (BA) / Wikimedia Commons

A BYD já vendeu mais de 130 mil carros no Brasil desde 2021 e, em abril de 2026, virou a marca nº 1 em vendas de varejo do país, passando a Volkswagen — faz cerca de 9 de cada 10 elétricos vendidos aqui, e o Brasil é o maior mercado da BYD fora da China. E não veio só importar: abriu fábrica em Camaçari (BA), no antigo terreno da Ford, com R$ 5,5 bilhões, a maior fábrica de carros elétricos da América Latina. A Great Wall (GWM) também produz em Iracemápolis (SP).

Muito além do carro: apps, tech e e-commerce

Muito além do carro: apps, tech e e-commerce
Crédito: BYD Seal U (híbrido) / Wikimedia Commons

O celular Huawei, a TV Hisense e o Xiaomi na sua mão mostram que 'marca chinesa' virou tecnologia desejada. E tem a guerra dos aplicativos: o 99Food (do chinês DiDi, R$ 2 bi) e o Keeta (do chinês Meituan, US$ 1 bi) brigam pelo seu prato, enquanto a Shopee cresceu cerca de 40% de compradores no Brasil. Sendo honesto: a Shopee é do grupo Sea (de Singapura, com forte capital chinês/Tencent), então nem tudo é 100% chinês — mas o eixo é a China.

O tamanho da relação (e a nuance honesta)

O tamanho da relação (e a nuance honesta)
Crédito: Encontro Brasil-China (Lula) / Wikimedia Commons

O comércio entre Brasil e China bateu US$ 171 bilhões em 2025 (recorde), mais que o dobro do comércio com os EUA, e a China é nosso maior parceiro há 16 anos. A nuance, sendo justo: nem toda 'marca chinesa' é 100% chinesa (a Shopee/Sea é de Singapura), e alguns números de mercado (share de Hisense, Xiaomi, TCL no Brasil) ainda são estimativa, não dado fechado. Mas o movimento é real e irreversível — e quem importa da China está exatamente no centro dele.

Resumo em pontos

  • The Economist (jul/2026): 'brasileiros estão loucos por marcas chinesas' (BYD, Huawei, Hisense, 99Food, Shopee).
  • Investimento chinês no Brasil: US$ 6,1 bi em 2025 (+45%) = maior destino do mundo (10,9% do total, acima dos EUA). Estoque 2007-2025: US$ 85,5 bi / 355 projetos (CEBC).
  • BYD: +130 mil carros desde 2021; marca nº 1 em vendas em abril/2026; ~9 de cada 10 elétricos. Fábrica em Camaçari (BA), R$ 5,5 bi. GWM produz em Iracemápolis (SP).
  • Delivery: 99Food (DiDi, R$ 2 bi) x Keeta (Meituan, US$ 1 bi). Shopee (Sea/Tencent) +40% de compradores.
  • Comércio Brasil-China: US$ 171 bi em 2025 (dobro dos EUA). Nuance honesta: Shopee é de Singapura+Tencent; shares de Hisense/Xiaomi/TCL no BR são estimativa.

Fontes

The Economist ('Brazilians are going gaga for Chinese brands', 2/jul/2026) via ITIF e X oficial. CEBC (China-Brazil Business Council) e AEI/China Global Investment Tracker: US$ 6,1 bi em 2025 (+45%, 10,9% do total, maior destino global); estoque US$ 85,5 bi em 355 projetos; setores. CnEVPost e SCMP: BYD Camaçari (R$ 5,5 bi, out/2025) e vendas (+130 mil, 9,7% de share). GlobalChinaEV e Marketplace: BYD nº 1 em abril/2026; Brasil maior mercado fora da China. Macao News e Caixin: 99Food (DiDi, R$ 2 bi) e Keeta (Meituan, US$ 1 bi). Ainvest: Shopee (Sea/Tencent) +40% de compradores. Global Times e SCMP: comércio Brasil-China US$ 171 bi em 2025. Nota: shares de Hisense/Xiaomi/TCL no Brasil e presença da Mixue não foram confirmados em fonte forte e são tratados qualitativamente.

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