Você usa, dirige ou joga com elas achando que são europeias ou americanas — mas o dono, no controle, é chinês. Aqui estão 6 grandes marcas controladas por chineses (com quem comprou, quando e por quanto) e a nuance honesta, com as fontes.

Os números

  • Volvo Cars — da Geely (China) desde 2010, por US$ 1,8 bi. Só a Volvo de CARROS; a de caminhões/ônibus é sueca e separada
  • Motorola — da Lenovo (China) desde 2014, por US$ 2,91 bi (comprada do Google)
  • ThinkPad — da Lenovo (China) desde 2005, junto com a divisão de PCs da IBM, por US$ 1,75 bi
  • GE Appliances — da Haier (China) desde 2016, por US$ 5,4 bi. A marca 'GE' é licenciada; a General Electric em si é americana
  • Club Med — da Fosun (China) desde 2015, por ~US$ 1 bi — o resort 'europeu' tem dono chinês
  • Riot Games — 100% da Tencent (China) desde 2015 — o estúdio de League of Legends, feito em LA, tem controle chinês

Volvo e Motorola

Volvo e Motorola
Crédito: Volvo XC60 (Volvo Cars, da Geely) / Wikimedia Commons

1) Volvo (carros): a sueca Volvo Cars é da chinesa Geely desde 2010, numa compra de US$ 1,8 bilhão, e hoje a Geely controla a maioria das ações. Atenção para não confundir: só a Volvo de carros é chinesa — a Volvo de caminhões e ônibus (o Grupo Volvo) é outra empresa, sueca e independente. 2) Motorola: a 'americana' Motorola é da chinesa Lenovo desde 2014, quando a Lenovo comprou a Motorola Mobility do Google por US$ 2,91 bilhões. Aquele celular Moto no bolso de meio Brasil é de uma empresa chinesa.

ThinkPad e GE Appliances

ThinkPad e GE Appliances
Crédito: Smartphone Motorola (da Lenovo) / Wikimedia Commons

3) ThinkPad (e os PCs da IBM): o ThinkPad, símbolo do notebook 'corporativo americano', é da Lenovo (China) desde 2005, quando ela comprou a divisão de PCs da IBM por US$ 1,75 bilhão. 4) GE Appliances: a divisão de eletrodomésticos da General Electric é da chinesa Haier desde 2016, por US$ 5,4 bilhões — com um detalhe honesto: a marca 'GE' aqui é apenas licenciada, e a General Electric em si continua americana. Mas os eletrodomésticos são de dono chinês.

Club Med e Riot Games

Club Med e Riot Games
Crédito: Resort Club Med (controlado pela Fosun) / Wikimedia Commons

5) Club Med: a rede francesa de resorts é controlada pela chinesa Fosun desde 2015, numa compra de cerca de US$ 1 bilhão — aquele all-inclusive 'europeu' chique tem dono chinês. 6) Riot Games (League of Legends): o estúdio do jogo é 100% da chinesa Tencent desde 2015 (ela já tinha comprado a maioria em 2011). Um dos maiores games do mundo, feito em Los Angeles, tem controle chinês. E tem mais: a Lotus é da Geely, o Clash of Clans (Supercell) é da Tencent, e a Smart é uma joint venture meio a meio entre a Geely e a Mercedes.

A nuance honesta: nem tudo é '100% chinês'

A nuance honesta: nem tudo é '100% chinês'
Crédito: Sede da Riot Games (da Tencent), Los Angeles / Wikimedia Commons

É preciso honestidade: nem tudo é totalmente chinês. A Pirelli foi comprada pela estatal chinesa ChemChina em 2015, mas em 2025 o conselho declarou que o controle chinês havia terminado sob a lei italiana do 'poder de ouro' (Golden Power), então hoje o controle é disputado. E há as que já foram chinesas e não são mais: a Weetabix foi vendida à americana Post em 2017, e a Inter de Milão saiu do controle da chinesa Suning para a americana Oaktree em 2024. Ou seja: a foto muda com o tempo, e é bom checar a data.

O que isso revela (e por que importa)

O que isso revela (e por que importa)
Crédito: Sede da Geely / Wikimedia Commons

O que tudo isso revela é que a China deixou de ser só quem fabrica para os outros e passou a comprar e controlar as marcas globais mais icônicas: carro de luxo, celular, notebook, eletrodoméstico, resort, videogame — o dinheiro chinês está por trás de muito mais coisa do que parece. E por que isso importa para você? Porque muda como você lê o mundo: aquela marca 'gringa' que você admira pode ser, no controle, chinesa. Marca não é o mesmo que dono, e entender quem realmente controla o quê é entender para onde o poder econômico do planeta está indo.

Resumo em pontos

  • Volvo Cars → Geely (2010, US$ 1,8 bi; só carros, não caminhões). Motorola → Lenovo (2014, US$ 2,91 bi). ThinkPad/IBM PC → Lenovo (2005, US$ 1,75 bi).
  • GE Appliances → Haier (2016, US$ 5,4 bi; marca 'GE' licenciada). Club Med → Fosun (2015, ~US$ 1 bi). Riot Games/LoL → Tencent (100% em 2015).
  • Bônus: Lotus (Geely), Clash of Clans/Supercell (Tencent), Smart (JV Geely+Mercedes).
  • Nuance honesta: Pirelli (ChemChina 2015) com controle declarado encerrado em 2025 (Golden Power). Weetabix e Inter de Milão já NÃO são mais chinesas.
  • A China deixou de só fabricar e passou a comprar as marcas globais mais icônicas. Marca ≠ dono.

Fontes

Media Volvo Cars e Wikipedia (Geely): Volvo Cars (2010) e Lotus. Lenovo News e TechCrunch: Motorola (2014) e IBM/ThinkPad (2005). GE e CNN Money: GE Appliances → Haier (2016). Wikipedia (Club Med) e Nikkei: Club Med → Fosun (2015). TechCrunch e Fortune: Riot Games e Supercell → Tencent. CNBC e Wikipedia (Pirelli): ChemChina e o controle contestado em 2025. Fortune e Forbes: Weetabix (vendida em 2017) e Inter de Milão (Oaktree, 2024).

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