O império do chá chinês: do chá milenar ao bubble tea bilionário

A China inventou o chá há milênios, e hoje transformou essa tradição num império de bilhões. É a maior produtora e a maior consumidora de chá do planeta ao mesmo tempo. Sobre essa base milenar, nasceu o que os chineses chamam de "novo chá" (新茶饮): leite, frutas, tapioca e chá gelado, o bubble tea moderno que virou febre até no Brasil. Por trás dele há marcas gigantes, IPOs em Hong Kong e na Nasdaq, e uma das maiores redes de bebidas do mundo. São fatos públicos, com números e fontes. E tem os dois lados.
Os números
- ~50% — da produção mundial de chá vem da China (~3,18 mi de toneladas, 2023)
- ~46 mil — lojas da Mixue, a maior rede de bebidas do mundo (2025)
- RMB 350 bi+ — tamanho do mercado de "novo chá" na China em 2024
- US$ 411 mi — captados pela Chagee no IPO na Nasdaq (abril/2025)
A maior produtora e consumidora de chá do mundo

Tudo começa na tradição. A China é a maior produtora de chá do planeta: foram cerca de 3,18 milhões de toneladas em 2023, perto de metade de todo o chá produzido no mundo. E não é só cultivo: cerca de 88% desse chá é consumido dentro do próprio país. Ou seja, a China é a maior produtora E a maior consumidora de chá ao mesmo tempo. Foi essa cultura milenar que serviu de base para o que veio depois.
O "novo chá" virou um setor de bilhões

Sobre a tradição nasceu uma coisa nova, o que os chineses chamam de 新茶饮, o "novo chá": leite, frutas, tapioca e chá gelado, o bubble tea moderno. Deixou de ser só uma bebida e virou um setor inteiro da economia. O mercado de "novo chá" na China movimentou cerca de RMB 247 bilhões em 2023 e, em 2024, já passava de RMB 350 bilhões. É um império construído sobre um copo de chá.
Mixue, a maior rede de bebidas do mundo

A Mixue (蜜雪冰城) virou a maior rede de bebidas do mundo em número de lojas. Ela passou de 40 mil lojas e chegou a cerca de 46 mil em 2025, à frente de Starbucks e McDonald's nesse quesito. Em março de 2025 abriu capital na Bolsa de Hong Kong, e a procura foi tão grande que a parte do varejo foi disputada milhares de vezes, um recorde, com a ação saltando cerca de 40% no primeiro dia de negociação.
Chagee e o IPO na Nasdaq

A onda não para na Mixue. A Chagee (Bawang Chaji, 霸王茶姬), fundada só em 2017, já tem cerca de 6.400 lojas de chá na China e no Sudeste Asiático. Em abril de 2025 ela abriu capital na Nasdaq, nos Estados Unidos, com o ticker CHA, e captou cerca de US$ 411 milhões. Uma marca de chá chinesa criada há menos de uma década estreando numa das maiores bolsas do mundo.
HeyTea, Nayuki e o chá premium

Tem ainda as marcas que viraram desejo da classe média chinesa. A HeyTea (喜茶), com cerca de 4 mil lojas, é o chá "premium" que todo mundo posta nas redes. A Nayuki (奈雪的茶) abriu capital em Hong Kong em 2021 e captou mais de US$ 650 milhões. E a tradição não sumiu no meio disso: redes menores, como a Qilin Dakoucha (大口茶), de Yunnan, resgatam receitas antigas, como o chá de arroz. O chá milenar e o chá viral disputam o mesmo balcão.
Os dois lados do império do chá

Vale olhar para os dois lados. De um lado, é um fenômeno cultural e econômico genuíno: gera milhões de empregos, movimenta cidades inteiras e exporta a cultura chinesa do chá para o mundo. De outro, boa parte do "novo chá" são bebidas ultraprocessadas, com muito açúcar, e o setor vive uma guerra de preços brutal que espreme franqueados e fornecedores. Entender esse contraste é entender a China de hoje: tradição milenar e capitalismo de plataforma no mesmo copo.
Resumo em pontos
- A China é a maior produtora de chá do mundo (~3,18 mi de toneladas em 2023, perto de 50% da produção global) e também a maior consumidora (~88% do que produz é bebido dentro do país).
- O mercado de "novo chá" (新茶饮) na China movimentou ~RMB 247 bilhões em 2023 e passou de RMB 350 bilhões em 2024.
- A Mixue (蜜雪冰城) passou de 40 mil lojas (~46 mil em 2025), virando a maior rede de bebidas do mundo em número de lojas, à frente de Starbucks e McDonald's; abriu capital em Hong Kong em março de 2025 com demanda recorde.
- A Chagee (Bawang Chaji), com ~6.400 lojas, abriu capital na Nasdaq em abril de 2025 (ticker CHA) e captou ~US$ 411 milhões; a Nayuki abriu capital em Hong Kong em 2021 (~US$ 650 mi); a HeyTea tem ~4 mil lojas e segue privada.
- Os dois lados: fenômeno cultural e econômico que gera empregos e exporta a cultura do chá, mas também bebidas ultraprocessadas, muito açúcar e uma guerra de preços brutal no setor.
Fontes
CNBC e Fortune (Mixue: ~46 mil lojas e maior rede de bebidas do mundo, IPO Hong Kong mar/2025), SCMP/Yicai (demanda recorde no IPO da Mixue), CNBC e Nasdaq (Chagee: IPO Nasdaq abr/2025, ~US$ 411 mi), EqualOcean e Caixin (HeyTea e Nayuki, IPO Nayuki 2021), daxue Consulting e prospecto HKEX / China Daily (mercado de novo chá: RMB 247 bi em 2023 e 350 bi+ em 2024), Firsd Tea / China Tea Report e Tea & Coffee Trade Journal (China maior produtora e consumidora de chá, ~3,18 mi t em 2023, ~88% consumo interno).
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