A maior ponte sobre o mar da América Latina será construída por chineses, na Bahia

A maior ponte sobre o mar da América Latina vai ser construída por chineses, na Bahia. São 12,4 km sobre a Baía de Todos os Santos, obra de gigantes estatais da China. Aqui estão os números, o prazo, a nuance ambiental e o contexto do investimento chinês no Brasil, com as fontes.
Em resumo
- Ponte Salvador–Itaparica: 12,4 km sobre a Baía de Todos os Santos — a maior estrutura sobre água da América Latina. Início das obras em julho de 2026 (Novo PAC).
- Construída por gigantes estatais chinesas (CCCC + CCECC); PPP de 35 anos com pedágio. Apontada como a 1ª grande obra chinesa dentro do Brasil.
- ~R$ 11,6 bilhões; vão central estaiado de 682 m a 85 m de altura; sistema viário total de 46,8 km; ~44 municípios e ~10 mi de baianos beneficiados.
- Corta a travessia de ~1h de ferry para ~15 min de carro. Um navio já trouxe +800 t de equipamento chinês para iniciar a obra. Conclusão prevista ~2031-2032.
- Benchmark: Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau (55 km, maior travessia marítima do mundo). Nuance honesta: 60 anos de promessa, questões ambientais e concessão com pedágio.
A maior ponte sobre o mar da América Latina

A Ponte Salvador–Itaparica terá 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos os Santos, ligando Salvador à Ilha de Itaparica (município de Vera Cruz), e será a maior estrutura sobre água da América Latina. O presidente Lula deu a ordem de início das obras em julho de 2026, com recursos do Novo PAC, depois de a ponte passar décadas apenas no papel. É uma obra que literalmente muda o mapa da Bahia.
Quem constrói: gigantes estatais da China

A obra fica a cargo de gigantes estatais chinesas — a CCCC (China Communications Construction Company) e a CCECC —, numa parceria público-privada de 35 anos (um ano de estudos, cinco de construção e vinte e nove de operação com pedágio). É apontada como a primeira grande obra chinesa dentro do Brasil. Os números são gigantes: custo estimado em cerca de R$ 11,6 bilhões e um vão central estaiado de 682 metros a 85 metros de altura (o equivalente a um prédio de 28 andares), para navios e plataformas passarem por baixo.
Não é só a ponte (e o que muda na vida de quem mora lá)

É um sistema viário inteiro de 46,8 km: a travessia de 12,4 km sobre o mar, um conector de 4,2 km em Salvador e cerca de 30 km de estradas na ilha, beneficiando quase 44 municípios e perto de 10 milhões de baianos, com mais de 7.000 empregos previstos na obra. Para quem mora na região, a mudança é enorme: hoje a travessia de Salvador para Itaparica leva cerca de 1 hora de ferry (quando há lugar), e com a ponte cai para cerca de 15 minutos de carro, economizando uns 100 km de desvio por terra.
Um sonho de 60 anos que começou de verdade

A ideia da ponte é dos anos 1960. O consórcio chinês venceu a licitação em 2019, e o acordo foi selado no III Fórum Bahia–China, em novembro de 2025. E 'começou de verdade' não é força de expressão: um navio já atravessou o Atlântico trazendo mais de 800 toneladas de equipamento chinês para Salvador, com tecnologia de construção nunca antes usada na América Latina. É preciso honestidade, porém: foram décadas de promessas quebradas, há questões ambientais levantadas por acadêmicos, e é uma concessão com pedágio de 35 anos.
Por que a China (e por que isso importa)

Por que confiar na China para uma obra dessas? Porque o país tem o maior currículo de megapontes do mundo. A Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau tem 55 km sobre o mar e é a maior travessia marítima do planeta, aberta em 2019, com a mesma lógica de trocar uma hora de balsa por minutos de carro. E isso é só a ponta: o Brasil virou o maior destino de investimento chinês do mundo — em energia, portos, ferrovias e agora essa ponte. A China deixou de ser só quem compra a soja e o boi e passou a construir a infraestrutura brasileira. Entender esse movimento é entender uma das maiores transformações econômicas em curso no país.
Os números
- 12,4 km — o comprimento da ponte sobre a Baía de Todos os Santos — a maior estrutura sobre água da América Latina
- ~R$ 11,6 bi — o custo estimado da obra (Novo PAC); concessão em PPP de 35 anos, com pedágio
- 682 m / 85 m — o vão central estaiado / a altura livre (um prédio de 28 andares) para navios e plataformas passarem por baixo
- 46,8 km — o sistema viário completo (ponte + conector em Salvador + estradas na ilha); beneficia ~44 municípios e ~10 mi de baianos
- 1h → 15 min — a travessia Salvador–Itaparica cai de ~1 hora de ferry para ~15 minutos de carro
- 800+ t — de equipamento chinês já trazido de navio para Salvador iniciar a obra — tecnologia inédita na América Latina
Fontes
- Xinhua/Agência Brasil e Global Times: 12,4 km, a maior estrutura sobre água da América Latina e o sistema viário de 46,8 km. Casa Civil/gov.br e Exame: ordem de início das obras por Lula (julho de 2026, Novo PAC) e as empresas chinesas (CCCC/CCECC). CNN Brasil e Wikipedia (Ponte Salvador–Ilha de Itaparica): custo (~R$ 11,6 bi), vão de 682 m, PPP de 35 anos e histórico de 60 anos. Jornal Grande Bahia: as 800+ toneladas de equipamento chinês. Wikipedia (Hong Kong–Zhuhai–Macau Bridge): o benchmark de 55 km. Dialogue Earth e Agência Brasil China: o Brasil como maior destino de investimento chinês.