Ferrari Luce: detonada no mundo, ações em queda — e esgotada na China por R$ 3,3 milhões

A Ferrari lançou o primeiro carro elétrico da sua história e viveu a semana mais estranha dos seus 79 anos: o mundo detonou o design, as ações despencaram — e a China esgotou todos os carros de R$ 3,3 milhões no dia do lançamento. Este dossiê conta a história completa, da numerologia do 88 ao imposto que deixou uma Ferrari mais barata na China do que na Europa.
Em resumo
- A Luce é o 1º elétrico e o 1º sedã da história da Ferrari: 1.050 cv, 0-100 em 2,5 s, 530 km, design com a LoveFrom de Jony Ive, produção em Maranello, entregas no Q4/2026 (CNN Brasil, CarNewsChina).
- O design foi comparado a um Nissan Leaf e as ações caíram >8% em Milão no dia da revelação (CNN Brasil, AutoPapo).
- Na China: 3.988.000 yuans (~R$ 3,3 mi) e alocação inicial de 88 unidades esgotada no lançamento em Xangai; numerologia deliberada — 8 = 'enriquecer', 88 dobra a sorte, preço termina em 88 (CNN, CarNewsChina, China Highlights).
- A Luce ficou ~7% mais barata na China que na Europa: EVs escapam do imposto por cilindrada de até 40%; pagam só o imposto de ultra-luxo de 10% acima de 900 mil yuans (CarNewsChina, KPMG).
- Contexto: luxo na China -10,6% em 2025, Porsche -26% (4º ano de queda), comprador de Ferrari chinês é o mais jovem do mundo; rival Yangwang U9 (BYD) tem 1.287 cv por metade do preço (Bloomberg, CNBC, Daxue, Electrek).
O 1º elétrico da história da Ferrari (com dedo do ex-Apple)

A Luce rompe dois tabus de uma vez: é o primeiro carro 100% elétrico da Ferrari e o primeiro sedã de produção regular da marca — 4 portas, 5 lugares, uso diário. O design foi feito em parceria com a LoveFrom de Jony Ive, o lendário ex-chefe de design da Apple. Por dentro, é Ferrari de verdade: 4 motores, 1.050 cv (772 kW), bateria de 122 kWh, 0 a 100 km/h em 2,5 segundos, máxima de 310 km/h e 530 km de autonomia (WLTP), com produção 100% interna em Maranello — bateria e motores inclusos. Entregas a partir do 4º trimestre de 2026.
O vexame: comparada a Nissan Leaf, ações -8%

A recepção mundial foi brutal: o design discreto foi massacrado nas redes — a comparação mais repetida foi com um Nissan Leaf — e as ações da Ferrari caíram mais de 8% em Milão no dia da revelação. Parecia o maior tropeço da história da marca. Até o carro chegar na China.
O lançamento em Xangai: 88 carros, tudo esgotado

No fim de junho, a Luce foi lançada na China por 3.988.000 yuans (~R$ 3,3 milhões) — e a alocação inicial de exatamente 88 unidades esgotou imediatamente, segundo a imprensa chinesa. Cobertura local descreveu os compradores como o 1% mais rico do país, comprando '4 milhões de RMB sobre rodas' como símbolo de status. Uma nuance de checagem: uma concessionária de Pequim ainda aceitava pedidos antes do evento local, sinal de que pode haver mais alocações — mas o lote inicial se foi no ato.
A numerologia: por que 88 (e por que o preço termina em 88)

Nada no lançamento chinês é acaso. O número 8 (八, bā) soa como 发 (fā), de fācái — 'enriquecer'. Por isso 88 dobra a sorte e ainda lembra visualmente o caractere da 'dupla felicidade' (囍). E olhe de novo o preço: 3.988.000 — a sequência final em 88. A Ferrari desenhou o lançamento falando a língua cultural do cliente chinês, do número de unidades ao último dígito da etiqueta. É aula de localização de produto.
O imposto que inverteu o jogo (e o rival pela metade do preço)

O detalhe que quase ninguém notou: na China, a Luce custa ~7% MENOS que na Europa (US$ 586 mil vs ~US$ 626 mil) — raridade absoluta, já que Ferraris a combustão pagam imposto por cilindrada de até 40% e chegam a custar 40% a mais no país. O elétrico escapa dessa régua e paga só o imposto de ultra-luxo de 10% no varejo. É a política industrial chinesa moldando até o preço de uma Ferrari. O contexto torna o esgotamento mais impressionante: o mercado de luxo chinês caiu 10,6% em 2025 e a Porsche despencou 26% (4º ano seguido de queda). E a pressa da Ferrari tem nome: o Yangwang U9, hipercarro elétrico da BYD, entrega 1.287 cv por metade do preço — e a versão Xtreme (2.977 cv) bateu o recorde de EV em Nürburgring. A China virou o mercado que decide o futuro até de Maranello.
Os números
- 1.050 cv — a potência da Luce, o 1º elétrico da história da Ferrari: 0-100 km/h em 2,5 s, 310 km/h, 530 km de autonomia, feita inteira em Maranello
- -8% — a queda das ações da Ferrari em Milão no dia da revelação, com o design comparado nas redes a um Nissan Leaf
- R$ 3,3 mi — o preço na China (3.988.000 yuans) — e a alocação inicial de 88 unidades esgotou já no lançamento em Xangai
- 88 — o número escolhido a dedo: 8 (bā) soa como 'enriquecer' (fācái) em chinês; 88 dobra a sorte — e o preço também termina em 88
- ~7% — quanto a Luce ficou mais BARATA na China que na Europa: o elétrico escapa do imposto por cilindrada de até 40% dos carros a combustão
- metade — o preço do rival chinês: o Yangwang U9 da BYD tem 1.287 cv e custa ~US$ 252 mil, metade da Luce
Fontes
- CNN Brasil (Auto): lançamento na China por R$ 3,3 mi e 88 unidades esgotadas; revelação da Luce (1.050 cv, 530 km); queda de 8% das ações em Milão. CarNewsChina: preço em yuans (3.988.000), esgotamento imediato em Xangai, comparação de preços China/Europa/EUA e fotos do evento. Carscoops: nuance da concessionária de Pequim ainda aceitando pedidos; vendas da Ferrari na China (~900/ano). China Highlights e Gadget Review: numerologia do 8/88 e do preço. KPMG e Gasgoo: imposto de ultra-luxo de 10% acima de 900 mil yuans (incluindo EVs desde 2025) e imposto por cilindrada. CNBC e Daxue Consulting: perfil do comprador chinês de Ferrari (o mais jovem do mundo; 40% dos novos clientes globais com menos de 40 anos). CarNewsChina e Bloomberg: Porsche -26% na China em 2025 e retração do luxo (-10,6%). Electrek e Wikipedia: Yangwang U9 (1.287 cv, ~US$ 252 mil) e U9 Xtreme (recorde de EV em Nürburgring, US$ 2,76 mi). AutoPapo: repercussão 'detonaram, derrubaram a ação e esgotou'.