Vieram pelos carros, vieram pelas lojas: por que o varejo físico não morreu

Vieram pelos carros, vieram pelas lojas: por que o varejo físico não morreu

Faz anos que se anuncia o fim da loja física. Mas quem olha os números e, principalmente, quem olha o que as gigantes chinesas estão fazendo, vê o contrário: elas estão investindo bilhões em loja física no Brasil. Aqui você entende, com números e fontes, por que o varejo físico não morreu, por que as marcas mais 'digitais' do mundo estão indo pro tijolo, e como o varejista brasileiro pode competir com a China sem brigar só por preço.

Em resumo

  • O varejo físico ainda é ~80% de todo o varejo mundial (e-commerce chegou a ~20% em 2024/2025); no Brasil o e-commerce é ~9–11% do varejo, ou seja, o físico é ~90% (Statista, Shopify; FTI/E-Commerce Brasil).
  • As 300 maiores redes do Brasil abriram cerca de 3.000 novos pontos de venda em 2024 (+4,3% na rede física), somando mais de 80 mil unidades (E-Commerce Brasil).
  • A BYD investiu R$ 5,5 bilhões na fábrica de Camaçari (BA) e passou de 200 concessionárias no Brasil em 2025 (meta de 250+), com mais de 300 mil veículos vendidos (CNN Brasil, BYD Brasil, Terra).
  • A GWM chegou a 130 concessionárias ao fim de 2025 (+30%) e monta fábrica em Iracemápolis (SP), dentro de um plano de R$ 10 bilhões até 2032; a Miniso tinha 7.780 lojas no mundo em dez/2024 (GWM oficial, Terra; Miniso IR).
  • A Shein, nativa digital, fez pop-ups que atraíram mais de 100 mil visitantes por 8 cidades desde 2022; em Belo Horizonte (dez/2025) foram mais de 15 mil pessoas em 5 dias, com 80% do estoque vendido (Exame, E-Commerce Brasil).

O mito que precisa cair

O mito que precisa cair

A loja física não está morrendo. Ela ainda é cerca de 80% de todo o varejo do mundo. O e-commerce cresceu muito, mas chegou a uns 20% do total, ou seja, quatro de cada cinco compras ainda acontecem no mundo físico. No Brasil é ainda mais forte: o online é algo entre 9% e 11% do varejo, então cerca de 90% ainda fecha na loja de verdade. A internet virou vitrine e pesquisa; a compra, na maioria das vezes, ainda acontece no balcão.

O varejo está abrindo loja

O varejo está abrindo loja

E tem mais: o varejo físico brasileiro está abrindo loja, não fechando. Só em 2024, as 300 maiores redes do país abriram quase 3 mil novos pontos de venda, um crescimento de mais de 4% na rede física. Quem está no jogo de verdade não fugiu do físico, botou mais ficha nele. Isso já derruba a ideia de que só sobrevive quem migrou tudo pra internet.

Os chineses correndo pro tijolo

Os chineses correndo pro tijolo

Agora olha quem está indo pro físico com tudo: os próprios chineses. A BYD colocou 5,5 bilhões de reais numa fábrica na Bahia e já passou de 200 concessionárias no Brasil. A GWM chegou a 130 concessionárias e está montando fábrica em São Paulo. A Miniso já tem mais de 7 mil lojas pelo mundo. Quem 'vende pela internet' não gasta bilhões em loja de rua, a não ser que saiba que a loja vende.

Até a Shein foi pro físico

Até a Shein foi pro físico

O caso mais simbólico é a Shein. A rainha do preço baixo online montou lojas temporárias pelo Brasil, e o resultado impressiona: em uma única cidade, mais de 15 mil pessoas em 5 dias e 80% do estoque vendido. A empresa mais 'digital' do mundo foi buscar o cliente no olho no olho. Se até ela precisa do físico, é porque tem ali algo que a tela não entrega.

O mercado que o preço não compra

O mercado que o preço não compra

Aqui está a lição que separa quem entende de quem só reclama. A China vem pelo preço, e no preço quem tem a fábrica ganha quase sempre; brigar de igual pra igual no 'mais barato' contra quem fabrica é briga perdida. Mas existe um mercado que o preço não compra: a experiência de ver, tocar e provar, a confiança, o vendedor que te conhece, o pós-venda que resolve. Isso não vem num container, e é o que ainda faz a pessoa escolher a loja da esquina em vez do carrinho no app.

O recado pro varejista brasileiro

O recado pro varejista brasileiro

As próprias chinesas estão vindo pro físico porque já têm o preço; o que faltava era exatamente o que você pode ter: presença, relação e experiência na hora da compra. Então o caminho não é tentar ganhar da China no preço do produto, é ganhar no que a China ainda não consegue exportar: atendimento, curadoria e confiança. Use o produto chinês como munição e a sua loja como o diferencial. Preço abre a porta; experiência fecha a venda.

Os números

  • ~80% — de todo o varejo mundial ainda acontece em loja física; no Brasil o físico é ~90%
  • ~3.000 — novos pontos de venda abertos pelas 300 maiores redes do Brasil só em 2024 (+4,3% na rede física)
  • R$ 5,5 bi — o investimento da BYD na fábrica de Camaçari (BA); a marca passou de 200 concessionárias no Brasil em 2025
  • 7.780 lojas — a rede física da Miniso (China) no mundo (dez/2024), incluindo flagship na Champs-Élysées
  • +15 mil — pessoas em 5 dias num único pop-up da Shein no Brasil, que vendeu 80% do estoque

Fontes

  • Statista e Shopify: e-commerce em ~20% do varejo mundial (físico ~80%). FTI Consulting e E-Commerce Brasil: e-commerce em ~9–11% do varejo brasileiro e abertura de ~3.000 lojas pelas 300 maiores redes em 2024. CNN Brasil, BYD Brasil e Terra: R$ 5,5 bilhões na fábrica de Camaçari e mais de 200 concessionárias da BYD. GWM Motors Brasil e Terra: 130 concessionárias, fábrica em Iracemápolis e plano de R$ 10 bilhões. Miniso Investor Relations: 7.780 lojas no mundo em dez/2024 e flagship na Champs-Élysées. Exame e E-Commerce Brasil: pop-ups da Shein com mais de 100 mil visitantes e o caso de Belo Horizonte.

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