A empresa chinesa que quer ser a Starlink da China

Quando se fala em internet via satélite, o nome que vem na cabeça é Starlink, do Elon Musk. Mas a China decidiu que não vai depender disso. Está construindo as próprias megaconstelações, com milhares de satélites em órbita baixa, foguete próprio e controle de ponta a ponta. Não é ficção: a rodada de financiamento bilionária aberta em junho de 2026 e os satélites já lançados mostram que a corrida é real. De um lado, autonomia e inovação. De outro, lixo espacial, disputa por órbitas e um jogo geopolítico no céu. São fatos públicos, com números e fontes. Vale olhar com calma.
Em resumo
- Em junho de 2026 a Qianfan/SpaceSail abriu nova rodada de financiamento (22/06 a 17/07), com aporte mínimo de 5 bilhões de yuans por investidor, até 3 investidores e fatia de no máximo 20% (CNN Brasil/Canaltech/Reuters).
- A Qianfan ('Mil Velas'/SpaceSail), operada pela Shanghai Yuanxin/Spacecom (projeto G60), mira mais de 15 mil satélites em órbita baixa até cerca de 2030 (Canaltech/Olhar Digital/Reuters).
- A GuoWang, constelação estatal chinesa, mira cerca de 13 mil satélites; somados aos da Qianfan, quase 28 mil planejados (china-in-space/SpaceNews/CircleID).
- Até junho de 2026, a Qianfan já tinha cerca de 200 satélites em órbita e a GuoWang na casa dos 170, lançados em grupos pelos foguetes Longa Marcha 6A, 8 e 12B (SpaceNews/china-in-space).
- A Anatel autorizou a SpaceSail a operar no Brasil (até 324 satélites, licença de fev/2026, operação prevista pro 4o trimestre de 2026), mirando áreas remotas como a Amazônia (Tecnoblog/Olhar Digital/Tecmundo).
A rodada de financiamento que destravou a corrida

Em junho de 2026, a 'Starlink chinesa' abriu uma nova rodada de captação de recursos pra viabilizar a constelação. O período de arrecadação vai de 22 de junho a 17 de julho de 2026, com aporte mínimo de 5 bilhões de yuans por investidor, no máximo 3 investidores e fatia que não passa de 20%. Não é a primeira: em 2024 a empresa já havia levantado 6,7 bilhões de yuans (cerca de R$ 4,8 bilhões) numa rodada liderada por fundo estatal. O dinheiro vai para a construção da constelação, tecnologia e operação.
Qianfan, a constelação 'Mil Velas'

A empresa por trás disso é a Qianfan, que em português significa 'Mil Velas' e lá fora se apresenta como SpaceSail. É operada pela Shanghai Yuanxin/Spacecom Satellite Technology, com ligação com o Estado chinês, e faz parte do projeto G60. A meta é colocar mais de 15 mil satélites em órbita baixa (LEO) até cerca de 2030, em fases: a primeira prevê 648 satélites, a segunda 1.296, até passar dos 15 mil. É a aposta central da China para ter a própria internet do espaço.
Não é uma empresa só: GuoWang também entrou

A Qianfan não está sozinha. A China tem uma segunda megaconstelação, a GuoWang ('rede nacional'), ligada diretamente ao Estado. Sozinha, a GuoWang mira cerca de 13 mil satélites. Somando os dois projetos, dá quase 28 mil satélites planejados. As duas constelações correm lado a lado na largada, disputando quem deploya mais rápido.
Já está subindo: satélites em órbita e foguetes em sequência

Não é só plano no papel. Até junho de 2026, a Qianfan já tinha cerca de 200 satélites em órbita, e a GuoWang na casa dos 170. Os satélites sobem em grupos, lançados pelos foguetes Longa Marcha (Long March 6A, Long March 8 e a estreia do Long March 12B em junho de 2026). É uma cadência crescente, lançamento após lançamento, para alcançar as metas de milhares de unidades.
O motivo de tudo: soberania

Por que a China gasta bilhões para construir o que o Musk já tem? Soberania e segurança. Depender de uma empresa americana, ligada ao Elon Musk, para a internet estratégica é um risco que a China não quer correr. Quem controla os satélites controla a conexão de quem está embaixo, incluindo dados sensíveis, frequências e órbitas. A China quer essa infraestrutura nas próprias mãos, do foguete ao satélite.
Os dois lados: autonomia x corrida no céu

Para ser honesto, há ganhos reais. A China está dominando uma tecnologia que era quase monopólio americano, e quer exportar internet para o Sul Global (África, Ásia, América Latina), inclusive ao Brasil, onde a Anatel já autorizou a SpaceSail a operar até 324 satélites para levar conexão a áreas remotas como a Amazônia. Mas dezenas de milhares de satélites também significam mais lixo espacial, disputa por órbitas e frequências, e uma corrida geopolítica no espaço. O futuro da internet vai se decidir lá em cima, e não é mais um país só mandando. A verdade está no meio, e é mais interessante que os dois clichês.
Os números
- +15 mil — satélites que a Qianfan/SpaceSail planeja colocar em órbita baixa até cerca de 2030
- ~13 mil — satélites planejados pela GuoWang, a constelação estatal chinesa
- ~200 — satélites da Qianfan já em órbita até junho de 2026 (GuoWang na casa dos 170)
- 5 bilhões de yuans — aporte mínimo por investidor na rodada de financiamento aberta em junho de 2026 (22/06 a 17/07)
- até 324 — satélites que a SpaceSail foi autorizada pela Anatel a operar no Brasil (operação prevista pro fim de 2026)
Fontes
- CNN Brasil e Canaltech ('Starlink chinesa'/Qianfan abriu nova rodada de financiamento em junho de 2026, de 22/06 a 17/07, aporte mínimo de 5 bilhões de yuans por investidor, até 3 investidores, fatia de no máximo 20%; meta de mais de 15 mil satélites em órbita baixa); Reuters (SpaceSail/Shanghai Yuanxin levantou 6,7 bilhões de yuans em 2024 com fundo estatal; ambições de megaconstelação e soberania); SpaceNews (Qianfan atingiu cerca de 200 satélites em órbita em junho de 2026, com lançamentos por Long March 6A, Long March 8 e a estreia do Long March 12B); china-in-space (Qianfan com ~182 e GuoWang com ~168 satélites em junho de 2026, correndo lado a lado; GuoWang mira ~13 mil satélites); CircleID (atualização das constelações chinesas Guowang, Qianfan e Honghu-3); Olhar Digital, Tecnoblog e Tecmundo (Anatel autorizou a SpaceSail a operar no Brasil, até 324 satélites na primeira fase, operação comercial prevista pro 4o trimestre de 2026, foco em áreas remotas como a Amazônia).