A corrida chinesa dos óculos com inteligência artificial

A corrida chinesa dos óculos com inteligência artificial

Quando se fala em óculos com inteligência artificial, a manchete costuma ser americana ou coreana: o Google anunciou óculos com Gemini em parceria com a sul-coreana Gentle Monster, e a Meta vende os Ray-Ban com IA. Nenhum desses é chinês. Mas a corrida de verdade está sendo decidida na China, que lidera fabricação, envios e a cadeia de suprimentos do setor. Não é palpite: são dados confirmados em mais de uma fonte (IDC, Counterpoint, BofA, SCMP).

Em resumo

  • O óculos do Google com Gemini e a parceria com a Gentle Monster (sul-coreana) não são chineses; servem só de contexto para a corrida global.
  • No 3º tri de 2025, quatro dos cinco maiores fabricantes globais de óculos inteligentes por envios eram chineses: Xiaomi, RayNeo, XREAL e Viture (IDC).
  • Na China continental, os envios de óculos com IA saltaram 35x em 2025, para 950 mil unidades, liderados por Xiaomi (32%) e Rokid (29%).
  • Produtos reais já à venda: Xiaomi AI Glasses (1.999 yuans), Huawei AI Glasses (2.499 yuans), Alibaba Quark com Qwen (1.899 yuans) e Baidu Xiaodu (2.299 yuans).
  • Mais de 80% das empresas da cadeia global de óculos com IA são chinesas, do Micro-LED ao chip e à montagem (relatório do Bank of America).

O gancho que não é chinês

O gancho que não é chinês

A notícia que abriu a conversa foi o Google revelando, no I/O 2026, óculos com a IA Gemini em parceria com a marca Gentle Monster, desenvolvidos junto com a Samsung. Importante deixar claro: nada disso é chinês. O Gemini é do Google (americano), a Gentle Monster é uma marca sul-coreana de luxo e a Samsung é coreana. No Ocidente, quem domina hoje são os Ray-Ban da Meta. Esse cenário serve só para enquadrar a corrida global; o protagonista real do volume está na China.

Quatro de cinco são chineses

Quatro de cinco são chineses

No terceiro trimestre de 2025, quatro dos cinco maiores fabricantes de óculos inteligentes do mundo por participação de envios eram chineses: Xiaomi, Thunderbird Innovation (dona da marca RayNeo), XREAL e Viture, segundo a IDC. O mercado chinês de óculos inteligentes cresceu cerca de 116% em 2025. Globalmente, foram os smart glasses que puxaram o crescimento do mercado de realidade estendida (XR) no ano.

Os produtos chineses de verdade

Os produtos chineses de verdade

Não é promessa, é prateleira. O Xiaomi AI Glasses chegou em junho de 2025 a partir de 1.999 yuans, com chip Qualcomm AR1, câmera de 12 megapixels, gravação em 2K e o assistente Xiao Ai, capaz de tirar foto, traduzir texto e reconhecer objeto por voz. A Huawei lançou os seus em abril de 2026 a partir de 2.499 yuans, com 35,5 gramas, chip próprio, IA multimodal e pagamento pelo óculos. A Alibaba tem o Quark com a IA Qwen (a partir de 1.899 yuans) e a Baidu tem o Xiaodu (2.299 yuans). Some RayNeo, Rokid e XREAL.

A China domina a cadeia toda

A China domina a cadeia toda

O que explica a vantagem chinesa é a cadeia de suprimentos. Um relatório do Bank of America Securities aponta que mais de 80% das empresas da cadeia global de óculos com IA são chinesas: das lentes waveguide e telas Micro-LED aos chips e à montagem final. Com tudo concentrado em regiões como o Delta do Rio das Pérolas e o Delta do Yangtzé, um protótipo sai em dias e vira produto em semanas, ciclo que levaria meses no Ocidente.

Hardware, software e preço chineses

Hardware, software e preço chineses

A integração vai além do hardware. Os óculos chineses rodam modelos de IA chineses, como o Qwen, da Alibaba, e o DeepSeek, sem depender de tecnologia americana. Isso fecha o pacote: hardware chinês, software chinês e preço chinês. No segmento de AR com waveguide, a Rokid liderou os envios globais no segundo semestre de 2025, e a RayNeo liderou o segmento de AR de vídeo com 42% de participação, à frente do XREAL com 28%, segundo a Counterpoint Research.

Os dois lados da corrida

Os dois lados da corrida

Vale o equilíbrio. De um lado, a China entrega inovação rápida e barata, com dezenas de modelos e preços que o Ocidente não acompanha. De outro, óculos com câmera no rosto levantam questões sérias de privacidade e vigilância, na China e fora dela. E a tecnologia ainda é jovem: bateria curta, telas limitadas e um cenário de muitos modelos com vendas reais ainda modestas. A China largou na frente, mas a corrida está longe de terminar.

Os números

  • 4 de 5 — dos maiores fabricantes globais de óculos inteligentes por envios no 3º tri de 2025 eram chineses (Xiaomi, RayNeo, XREAL e Viture), segundo a IDC
  • +80% — das empresas da cadeia global de óculos com IA são chinesas, do Micro-LED ao chip e à montagem, segundo relatório do Bank of America
  • 35x — foi o salto dos envios de óculos com IA na China continental em 2025, chegando a 950 mil unidades (Xiaomi 32%, Rokid 29%)

Fontes

  • IDC (via Next Reality e EE Times Asia) e Counterpoint Research — quatro dos cinco maiores fabricantes globais de smart glasses no 3º tri/2025 eram chineses; mercado chinês cresceu ~116% em 2025; Rokid líder em AR waveguide e RayNeo líder em AR de vídeo (42%) no 2º sem/2025.
  • South China Morning Post (SCMP) e Gizmochina — envios de óculos com IA na China saltaram 35x em 2025 para 950 mil unidades (Xiaomi 32%, Rokid 29%); preços e especificações do Xiaomi AI Glasses, Huawei AI Glasses, Alibaba Quark/Qwen e Baidu Xiaodu.
  • TMTPost e BigGo Finance citando relatório do Bank of America (BofA) Securities — mais de 80% das empresas da cadeia global de óculos com IA são chinesas, de waveguide e Micro-LED a chips e montagem.

Leia o artigo completo no blog · Conheça a Destino China