A startup chinesa que faz o robô andar como gente, e dar mortal
Robô humanoide deixou de ser promessa de filme. Na China, uma startup de Shenzhen chamada EngineAI (众擎机器人), fundada apenas em 2023, já faz robôs que andam de forma surpreendentemente natural e até dão mortal pra frente, vendidos por preço de carro popular. Ela disputa a corrida com a também chinesa Unitree e com a americana Tesla Optimus, e é um retrato de como Shenzhen virou o polo mundial da robótica. Tem avanço real e tem hype: vale separar os dois. São fatos públicos, com números e fontes.
Em resumo
- A EngineAI (众擎机器人 / Shenzhen EngineAI Robotics) foi fundada em outubro de 2023 em Shenzhen, por Zhao Tongyang, com a linha SA01, SE01 e PM01 de robôs humanoides (Wikipedia/Humanoids Daily).
- O robô SE01 (~1,70 m, ~55 kg, US$ 20-30 mil) viralizou pela caminhada natural e humana nas ruas de Shenzhen, elogiada até por pesquisadores da Nvidia (Humanoids Daily/robotsasia).
- Em 23 de fevereiro de 2025 o PM01 fez o que é apontado como o primeiro mortal pra frente de um humanoide; o PM01 é open-source e custa cerca de US$ 12 a 13,7 mil (New Atlas/TechEBlog/Fox News).
- A rival chinesa Unitree vende o G1 a partir de ~US$ 16 mil e entregou mais de 5.500 humanoides em 2025; a Tesla Optimus, estimada em US$ 20-30 mil, segue interna, sem venda externa até 2026 (roboticscenter/aibusiness).
- Shenzhen/Guangdong virou o polo mundial de robótica, com cadeia de suprimentos completa e plano de ação 2025-2027 para uma indústria de um trilhão de yuans e mais de 1.200 empresas até 2027 (eyeshenzhen/Yahoo-SCMP).
A EngineAI nasceu ontem e já corre na frente
A EngineAI, em chinês 众擎机器人, é a Shenzhen EngineAI Robotics. Foi fundada em outubro de 2023, em Shenzhen, pelo empreendedor Zhao Tongyang. Em pouco tempo de vida montou uma linha de robôs humanoides: o SA01, voltado a pesquisa e educação, o SE01, do tamanho de um adulto e pensado para tarefas industriais, e o PM01, uma plataforma mais leve e de código aberto. A ambição declarada é colocar humanoide trabalhando em indústria, logística e serviços.
O vídeo que fez o mundo olhar: o robô que anda como gente

O que projetou a EngineAI globalmente foi um vídeo do robô SE01 caminhando pelas ruas de Shenzhen. Em vez do andar travado, de joelho dobrado e perna dura típico de outros robôs, o SE01 caminha de forma solta e natural. A fluidez do movimento, obtida com redes neurais e aprendizado por reforço, chamou atenção até de pesquisadores da Nvidia. O SE01 tem cerca de 1,70 m e 55 kg e é vendido por algo entre 20 e 30 mil dólares.
O mortal pra frente que viralizou

Em 23 de fevereiro de 2025, o robô PM01 executou o que é apontado como o primeiro mortal pra frente já feito por um humanoide. O feito viralizou porque o mortal pra frente é tecnicamente mais difícil que o mortal pra trás: ao girar para a frente, o robô perde o chão de vista e só reencontra o ponto de pouso no último instante, o que torna o controle de equilíbrio muito mais complexo. É uma demonstração de controle dinâmico, não só de efeito visual.
O preço é a verdadeira arma

O salto mais importante talvez seja o de preço. O SE01, full-size e voltado à indústria, mira a faixa de 20 a 30 mil dólares. Já o PM01, com cerca de 1,38 m e 40 kg e de código aberto, sai por volta de 12 a 13,7 mil dólares, preço de um carro popular. Esse barateamento é o que pode tirar o humanoide do laboratório e levá-lo para chão de fábrica, depósito e atendimento, mudando a conta de quem cogita automatizar tarefas.
EngineAI x Unitree x Tesla Optimus

A EngineAI não está sozinha. A também chinesa Unitree, de Hangzhou, vende o humanoide G1 a partir de cerca de 16 mil dólares e já entregou mais de 5.500 unidades só em 2025, mais que todo o resto somado. Do lado americano, a Tesla estima o Optimus na mesma faixa de 20 a 30 mil dólares, mas o robô segue interno, sem venda externa até 2026. Ou seja: enquanto o Ocidente promete, as empresas chinesas já estão vendendo e entregando.
Os dois lados: avanço real e hype

Para ser honesto, há dois lados. De um, o avanço é concreto e o preço caindo pode colocar robô em lugares antes impensáveis, com impacto direto sobre empregos e sobre como pensamos trabalho. De outro, robô que dá mortal no palco não é a mesma coisa que robô confiável fazendo trabalho útil o dia inteiro: parte disso ainda é demonstração e marketing. Shenzhen virou o polo mundial da robótica, com cadeia de suprimentos completa e plano público para uma indústria de um trilhão de yuans até 2027. A verdade não é nem o pânico nem o ceticismo total: está no meio, e é mais séria do que os dois clichês.
Os números
- 2023 — ano em que a EngineAI foi fundada em Shenzhen
- US$ 12 mil — preço aproximado do robô PM01, na faixa de um carro popular
- fev/2025 — o PM01 fez o que é apontado como o 1º mortal pra frente de um humanoide
- +5.500 — humanoides que a rival chinesa Unitree entregou só em 2025
Fontes
- Wikipedia (Engine AI: fundada em out/2023, Shenzhen, Zhao Tongyang, linha SA01/SE01/PM01); Humanoids Daily e robotsasia (SE01 ~1,70 m/~55 kg/US$ 20-30 mil, caminhada viral, PM01 ~1,38 m/~40 kg/US$ 12-13,7 mil open-source); New Atlas, TechEBlog e Fox News (PM01 primeiro mortal pra frente de um humanoide, 23/02/2025); roboticscenter e aibusiness (Unitree G1 a partir de ~US$ 16 mil e 5.500+ entregues em 2025, Tesla Optimus US$ 20-30 mil sem venda externa até 2026); eyeshenzhen e Yahoo/SCMP (Shenzhen como polo de robótica, cadeia completa e plano 2025-2027 de trilhão de yuans com 1.200+ empresas).