O cérebro digital por trás de milhares de hospitais na China

Quando você entra num hospital na China, o que te atendeu, qual exame você fez e qual remédio tomou vira registro digital dentro de um sistema. E boa parte desses sistemas vem da mesma empresa: a Donghua Software, conhecida como DHC. Companhia de Pequim, fundada em 2001 e listada na Bolsa de Shenzhen, ela é uma das maiores fornecedoras de tecnologia da informação para hospitais do país. Não vende remédio nem tem leito: vende o software que organiza o atendimento, as finanças e o prontuário eletrônico de cada paciente. É uma gigante praticamente invisível para o público. São fatos públicos, com fontes. Vale olhar com calma, vendo os dois lados.
Em resumo
- A Donghua Software (东华软件 / DHC) é uma empresa de tecnologia de Pequim, fundada em 2001 e listada na Bolsa de Shenzhen (código 002065).
- Seu produto central na saúde é o iMedical, o sistema integrado de informação do hospital (HIS), acompanhado do prontuário eletrônico (EMR).
- Mais de um terço dos 100 maiores hospitais da China já rodaram o iMedical; a empresa é apontada como a maior base de clientes entre os grandes hospitais nesse mercado.
- A divisão de saúde existe desde 1999; a empresa tem cerca de 10 mil funcionários e receita na casa de bilhões de dólares por ano.
- Em parceria estratégica com a Tencent (Tencent Cloud), entra nuvem, big data e IA médica, num ecossistema com bilhões de atendimentos ambulatoriais acumulados; o ponto de atenção é privacidade e concentração de dados de saúde.
Quem é a Donghua Software (DHC)

A Donghua Software, em chinês 东华软件, também chamada de DHC, é uma empresa de tecnologia com sede em Pequim, fundada em 2001 e de capital aberto, listada na Bolsa de Shenzhen sob o código 002065. Ela não atua na ponta da medicina: não vende remédio, não tem leito, não tem médico. O que ela faz é vender o software que faz o hospital funcionar por dentro, organizando atendimento, gestão financeira e os dados de cada paciente. É o tipo de empresa que quase ninguém conhece, mas que está presente no dia a dia de milhares de instituições de saúde.
iMedical: o sistema que faz o hospital funcionar por dentro

O carro-chefe da empresa na saúde tem nome: iMedical. É o sistema integrado de informação do hospital, o que no jargão técnico se chama HIS (Hospital Information System). Junto dele vem o prontuário eletrônico, o EMR, onde fica registrado o histórico de saúde de cada paciente: diagnósticos, exames, medicamentos e atendimentos. Em vez de papel espalhado e fichas soltas, tudo passa a viver num único sistema digital, acessível de forma integrada pelas equipes do hospital.
Uma das maiores em TI hospitalar do país

O peso da Donghua no setor aparece nos números. Mais de um terço dos 100 maiores hospitais da China já rodaram o iMedical, e a empresa é apontada como a que tem a maior base de clientes entre esses grandes hospitais no mercado de tecnologia médica. A divisão de saúde, a Donghua Medical, existe desde 1999. A companhia como um todo emprega cerca de 10 mil pessoas e tem receita na casa de bilhões de dólares por ano. É uma das maiores fornecedoras de TI hospitalar da China, ainda que praticamente desconhecida do grande público.
A parceria com a Tencent e a IA médica

O alcance fica maior com a parceria estratégica entre a Donghua e a Tencent, a dona do WeChat. A Tencent entra com nuvem, big data e inteligência artificial, combinadas com os sistemas da Donghua dentro do hospital. Na prática, isso vira hospital na nuvem, marcação de consulta pelo celular, imagem de exame analisada por IA e serviços de saúde online, tudo girando em torno do mesmo prontuário e do mesmo ecossistema digital. Reportagens da época citam volumes acumulados na casa de bilhões de atendimentos ambulatoriais passando por essa estrutura.
Dado de saúde concentrado em poucas mãos

Quando o registro de saúde de tanta gente depende de um número pequeno de fornecedores de software, surge uma questão que vai além da tecnologia. O prontuário eletrônico é uma das informações mais sensíveis que existem sobre uma pessoa. Ter isso unificado e disponível na hora ajuda muito o atendimento, mas também significa concentração de dados e de poder em torno de quem opera esses sistemas. Não é um julgamento, é um fato que merece atenção em qualquer país que digitaliza a saúde em larga escala.
Os dois lados: eficiência x privacidade

Para ser honesto, há ganho real e há risco real. De um lado, a eficiência e os dados unificados: o médico vê seu histórico na hora, em qualquer unidade integrada, o que reduz erro e evita repetir exame à toa. De outro, a privacidade e a concentração: quando o registro de saúde de milhões de pessoas roda em poucos fornecedores, o poder sobre esse dado vira algo enorme. A história da Donghua mostra como uma empresa de software que quase ninguém conhece pode estar no centro do sistema de saúde de um país inteiro. A verdade não é nem utopia nem distopia, está no meio, e é mais interessante que os dois clichês.
Os números
- 2001 — ano de fundação da Donghua Software (DHC), com sede em Pequim
- 002065 — código da empresa na Bolsa de Shenzhen, onde é listada
- +1/3 — dos 100 maiores hospitais da China já rodaram o sistema iMedical
- ~10 mil — funcionários, com receita na casa de bilhões de dólares por ano
Fontes
- GlobalData (perfil DHC Software Co., Ltd.: sede em Pequim, listada na Bolsa de Shenzhen 002065, software de saúde HIS/HOS e prontuário eletrônico EMR, cerca de 10 mil funcionários, receita na casa de US$1,8 bi em 2024) e Yahoo Finance (002065.SZ).
- Tencent e reportagens sobre a parceria Tencent Cloud + Donghua Software (nuvem, big data e IA na saúde, CloudHIS e hospital inteligente, volume acumulado de atendimentos ambulatoriais); perfis de empresa sobre Donghua Medical (divisão de saúde desde 1999, iMedical em mais de 1/3 dos 100 maiores hospitais da China).