A maior ponte sobre o mar da América Latina vai ser construída por chineses, na Bahia. São 12,4 km sobre a Baía de Todos os Santos, obra de gigantes estatais da China. Aqui estão os números, o prazo, a nuance ambiental e o contexto do investimento chinês no Brasil, com as fontes.

Os números

  • 12,4 km — o comprimento da ponte sobre a Baía de Todos os Santos — a maior estrutura sobre água da América Latina
  • ~R$ 11,6 bi — o custo estimado da obra (Novo PAC); concessão em PPP de 35 anos, com pedágio
  • 682 m / 85 m — o vão central estaiado / a altura livre (um prédio de 28 andares) para navios e plataformas passarem por baixo
  • 46,8 km — o sistema viário completo (ponte + conector em Salvador + estradas na ilha); beneficia ~44 municípios e ~10 mi de baianos
  • 1h → 15 min — a travessia Salvador–Itaparica cai de ~1 hora de ferry para ~15 minutos de carro
  • 800+ t — de equipamento chinês já trazido de navio para Salvador iniciar a obra — tecnologia inédita na América Latina

A maior ponte sobre o mar da América Latina

A maior ponte sobre o mar da América Latina
Crédito: Baía de Todos os Santos, vista de Itaparica / Wikimedia Commons

A Ponte Salvador–Itaparica terá 12,4 quilômetros sobre a Baía de Todos os Santos, ligando Salvador à Ilha de Itaparica (município de Vera Cruz), e será a maior estrutura sobre água da América Latina. O presidente Lula deu a ordem de início das obras em julho de 2026, com recursos do Novo PAC, depois de a ponte passar décadas apenas no papel. É uma obra que literalmente muda o mapa da Bahia.

Quem constrói: gigantes estatais da China

Quem constrói: gigantes estatais da China
Crédito: Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau (referência de megaponte chinesa) / Wikimedia Commons

A obra fica a cargo de gigantes estatais chinesas — a CCCC (China Communications Construction Company) e a CCECC —, numa parceria público-privada de 35 anos (um ano de estudos, cinco de construção e vinte e nove de operação com pedágio). É apontada como a primeira grande obra chinesa dentro do Brasil. Os números são gigantes: custo estimado em cerca de R$ 11,6 bilhões e um vão central estaiado de 682 metros a 85 metros de altura (o equivalente a um prédio de 28 andares), para navios e plataformas passarem por baixo.

Não é só a ponte (e o que muda na vida de quem mora lá)

Não é só a ponte (e o que muda na vida de quem mora lá)
Crédito: Ponte chinesa em construção (ilustrativo da técnica) / Wikimedia Commons

É um sistema viário inteiro de 46,8 km: a travessia de 12,4 km sobre o mar, um conector de 4,2 km em Salvador e cerca de 30 km de estradas na ilha, beneficiando quase 44 municípios e perto de 10 milhões de baianos, com mais de 7.000 empregos previstos na obra. Para quem mora na região, a mudança é enorme: hoje a travessia de Salvador para Itaparica leva cerca de 1 hora de ferry (quando há lugar), e com a ponte cai para cerca de 15 minutos de carro, economizando uns 100 km de desvio por terra.

Um sonho de 60 anos que começou de verdade

Um sonho de 60 anos que começou de verdade
Crédito: Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau ao pôr do sol / Wikimedia Commons

A ideia da ponte é dos anos 1960. O consórcio chinês venceu a licitação em 2019, e o acordo foi selado no III Fórum Bahia–China, em novembro de 2025. E 'começou de verdade' não é força de expressão: um navio já atravessou o Atlântico trazendo mais de 800 toneladas de equipamento chinês para Salvador, com tecnologia de construção nunca antes usada na América Latina. É preciso honestidade, porém: foram décadas de promessas quebradas, há questões ambientais levantadas por acadêmicos, e é uma concessão com pedágio de 35 anos.

Por que a China (e por que isso importa)

Por que a China (e por que isso importa)
Crédito: Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau, seção de Zhuhai / Wikimedia Commons

Por que confiar na China para uma obra dessas? Porque o país tem o maior currículo de megapontes do mundo. A Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau tem 55 km sobre o mar e é a maior travessia marítima do planeta, aberta em 2019, com a mesma lógica de trocar uma hora de balsa por minutos de carro. E isso é só a ponta: o Brasil virou o maior destino de investimento chinês do mundo — em energia, portos, ferrovias e agora essa ponte. A China deixou de ser só quem compra a soja e o boi e passou a construir a infraestrutura brasileira. Entender esse movimento é entender uma das maiores transformações econômicas em curso no país.

Resumo em pontos

  • Ponte Salvador–Itaparica: 12,4 km sobre a Baía de Todos os Santos — a maior estrutura sobre água da América Latina. Início das obras em julho de 2026 (Novo PAC).
  • Construída por gigantes estatais chinesas (CCCC + CCECC); PPP de 35 anos com pedágio. Apontada como a 1ª grande obra chinesa dentro do Brasil.
  • ~R$ 11,6 bilhões; vão central estaiado de 682 m a 85 m de altura; sistema viário total de 46,8 km; ~44 municípios e ~10 mi de baianos beneficiados.
  • Corta a travessia de ~1h de ferry para ~15 min de carro. Um navio já trouxe +800 t de equipamento chinês para iniciar a obra. Conclusão prevista ~2031-2032.
  • Benchmark: Ponte Hong Kong–Zhuhai–Macau (55 km, maior travessia marítima do mundo). Nuance honesta: 60 anos de promessa, questões ambientais e concessão com pedágio.

Fontes

Xinhua/Agência Brasil e Global Times: 12,4 km, a maior estrutura sobre água da América Latina e o sistema viário de 46,8 km. Casa Civil/gov.br e Exame: ordem de início das obras por Lula (julho de 2026, Novo PAC) e as empresas chinesas (CCCC/CCECC). CNN Brasil e Wikipedia (Ponte Salvador–Ilha de Itaparica): custo (~R$ 11,6 bi), vão de 682 m, PPP de 35 anos e histórico de 60 anos. Jornal Grande Bahia: as 800+ toneladas de equipamento chinês. Wikipedia (Hong Kong–Zhuhai–Macau Bridge): o benchmark de 55 km. Dialogue Earth e Agência Brasil China: o Brasil como maior destino de investimento chinês.

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