A China está construindo sua própria rede de satélites pra rivalizar com o Starlink. Chama-se Qianfan ("mil velas"), também conhecida como G60 ou SpaceSail. A meta é colocar mais de 15 mil satélites em órbita até 2030 — e a corrida já chegou ao Brasil.

Os números

  • 15.000+ — satélites planejados pela Qianfan até 2030
  • 200-240 — satélites Qianfan já em órbita (jul/2026)
  • 12.400+ — satélites Starlink já em operação
  • 1.160 km — altitude orbital da Qianfan (Starlink opera a ~550 km)
  • US$ 943 mi — investimento inicial no projeto (6,7 bi de yuans)
  • 30 países — em negociação comercial com a SpaceSail

O que é a Qianfan

O que é a Qianfan
Crédito: Wikipedia / SpaceNews, 2026

A Qianfan ("mil velas"), também chamada de G60 ou SpaceSail, é a megaconstelação de satélites de internet criada pela Shanghai Spacecom Satellite Technology (SSST). O projeto começou em 2023, com apoio do governo municipal de Xangai e da Academia Chinesa de Ciências, e recebeu investimento inicial de 6,7 bilhões de yuans (cerca de US$ 943 milhões). A meta de longo prazo é ultrapassar 15 mil satélites até 2030, cobrindo comunicação, sensoriamento remoto e futuras aplicações 6G. É o projeto chinês mais avançado no confronto direto com o Starlink da SpaceX.

Starlink x Qianfan em números

Starlink x Qianfan em números
Crédito: Hardware.com.br / CGTN, 2026

Em julho de 2026, o Starlink já opera mais de 12.400 satélites, respondendo por boa parte de tudo o que está em órbita no planeta. A Qianfan, lançada bem depois, soma entre 200 e 240 satélites até o momento, com meta de chegar a 648 até o fim de 2026. A diferença de escala expõe o quanto a China ainda precisa avançar para disputar o mercado global de internet via satélite. Ainda assim, o ritmo de lançamentos chineses vem acelerando mês a mês em 2026.

A corrida pelas posições orbitais

A corrida pelas posições orbitais
Crédito: Hardware.com.br, 2026

Posições orbitais e faixas de radiofrequência são recursos finitos, registrados por ordem de chegada junto à União Internacional de Telecomunicações (ITU). Hu Haiying, chefe do programa Qianfan, declarou publicamente que "o tempo está se esgotando" para a China garantir essas posições antes que sejam ocupadas por concorrentes como o Starlink. Por isso, a China já registrou pedidos na ITU para mais de 200 mil satélites — um número muito acima do que pretende de fato lançar, mas que serve para reservar espaço estratégico. É uma corrida que se decide tanto em escritórios regulatórios quanto em plataformas de lançamento.

Diferenças técnicas: órbita, latência e velocidade

Diferenças técnicas: órbita, latência e velocidade
Crédito: Mundo Conectado, 2026

A Qianfan opera a cerca de 1.160 km de altitude, mais do dobro da órbita do Starlink, que fica perto de 550 km. Órbitas mais altas exigem menos satélites para cobrir a mesma área, mas aumentam a latência: entre 20 e 40 milissegundos, contra a faixa mais baixa do Starlink. Em compensação, a SpaceSail promete velocidades de download de até 200 Mbps e upload entre 10 e 30 Mbps, patamar competitivo para uso residencial e corporativo. A empresa também fechou parcerias com Airbus e Panasonic Avionics mirando conectividade em aviação comercial.

A SpaceSail chega ao Brasil

A SpaceSail chega ao Brasil
Crédito: Mundo Conectado / Anatel, 2026

Em fevereiro de 2026, a Anatel autorizou oficialmente a operação da SpaceSail no Brasil, com licença inicial para 324 satélites válida até 2031. O serviço comercial deve começar no quarto trimestre de 2026, assim que as estações terrestres que conectam o sinal à rede de fibra óptica estiverem prontas. Analistas do setor apontam que o Brasil deve ser um dos primeiros mercados comerciais da empresa fora da China, com potencial de guerra de preços frente ao Starlink, que hoje cobra cerca de R$ 200 por mês no país. A SpaceSail também negocia entrada em cerca de 30 países, incluindo Malásia, Tailândia, Cazaquistão e África do Sul.

Resumo em pontos

  • A Qianfan (G60/SpaceSail) quer ter mais de 15 mil satélites em órbita até 2030, partindo de cerca de 200 hoje
  • O Starlink, da SpaceX, já opera mais de 12.400 satélites e segue muito à frente na corrida
  • A China ainda não domina foguetes reutilizáveis, o que trava o ritmo de lançamentos frente à SpaceX
  • A Anatel aprovou a operação da SpaceSail no Brasil em fevereiro de 2026, com serviço comercial previsto pro fim do ano
  • A disputa envolve também posições orbitais, um recurso finito registrado na ITU por ordem de chegada

Fontes

Wikipedia - Qianfan (acesso em 2026): https://en.wikipedia.org/wiki/Qianfan

Hardware.com.br - "Starlink possui 12.400 satélites, enquanto a China tem apenas 200: o chefe do programa de satélites chinês alerta que o tempo está se esgotando" (2026): https://www.hardware.com.br/noticias/starlink-12400-satelites-china-qianfan-200-corrida-espacial/

Mundo Conectado - "Adeus Starlink? O plano da China para dominar a Internet no Brasil (SpaceSail)" (2026): https://www.mundoconectado.com.br/internet/adeus-starlink-spacesail-china/

SpaceNews - "Qianfan constellation deployment hits 200 satellites with Long March 8 and 6A launches" (2026): https://spacenews.com/qianfan-constellation-deployment-hits-200-satellites-with-long-march-8-and-6a-launches/

CGTN - "Hot Take: China's answer to Starlink has 238 satellites in orbit" (07/07/2026): https://news.cgtn.com/news/2026-07-07/Hot-Take-China-s-answer-to-Starlink-has-238-satellites-in-orbit-1OAfPHXJ10k/p.html

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