Essa foi a ideia central da minha entrevista na RedeTV: a China deixou de ser apenas a fábrica do mundo. Hoje ela quer ser global também na imagem, na influência e nos negócios. E o nome disso é soft power: a capacidade de um país influenciar o mundo pela admiração, e não pela imposição. Quando você assiste a um filme americano, compra um iPhone ou usa um tênis Nike, você está, querendo ou não, dentro do soft power dos Estados Unidos. A Coreia faz o mesmo com K-pop, dorama e Samsung. Agora é a vez da China.

Os números

  • +50% — dos carros novos vendidos na China já são elétricos/híbridos
  • Admiração — soft power é influenciar pela admiração, não pela imposição (cultura, marca, tecnologia)
  • Labubu — do carro elétrico ao Pop Mart, a China exporta identidade, não só produto
  • 3 filtros — os preconceitos antigos que ainda travam a imagem da China no Brasil

O que é soft power, na prática

O que é soft power, na prática
Crédito: RedeTV / Acervo

Soft power é quando um país conquista espaço no mundo pela imagem: pela cultura, pelas marcas, pela tecnologia e pelo entretenimento. Os EUA fizeram isso com Hollywood, Apple, Nike, Coca-Cola, McDonald's. A Coreia, com K-pop, doramas e Samsung. A China está tentando fazer o mesmo agora, transformando a própria identidade com carros elétricos, tecnologia, infraestrutura, energia limpa e até com o Pop Mart e os Labubu.

A Copa do Mundo como vitrine gigante

A Copa do Mundo como vitrine gigante
Crédito: Acervo

Mesmo sem uma seleção competitiva, a China usa um evento como a Copa para se mostrar. Repara nos jogos: dá pra ver empresas chinesas nas placas de publicidade, nos patrocínios, nos ônibus. Tudo isso, querendo ou não, alimenta o soft power chinês — apresenta marcas chinesas para o mundo inteiro de uma vez só, dentro de campo.

O maior desafio: o preconceito

O maior desafio: o preconceito
Crédito: Acervo

A imagem da China quase sempre vem colada a uma questão ideológica. Tem uma contradição que confunde quem olha de fora: politicamente é governada pelo Partido Comunista, mas economicamente funciona com uma lógica competitiva, de indústria e tecnologia. Muito brasileiro ainda enxerga a China por três filtros antigos: o de 'produto barato e ruim' (que mudou completamente), o do 'comunismo = atraso', e o da distância cultural — gente que forma opinião sem nunca ter conhecido o país.

A China real não cabe no estereótipo

A China real não cabe no estereótipo
Crédito: Acervo

Quem vem pela primeira vez se surpreende: cidades extremamente modernas, empresas gigantescas, consumo forte, mais da metade dos carros novos elétricos, trem-bala, pagamento digital, e-commerce e uma velocidade de transformação impressionante. A China não é mais o comunismo clássico que o brasileiro imagina, nem o capitalismo liberal americano. É um modelo próprio: Estado forte, mas com empresas muito competitivas e uma ambição global gigante.

O que falta pra China vender melhor a própria história

O que falta pra China vender melhor a própria história
Crédito: Acervo

O desafio do soft power chinês é explicar essa complexidade. A China é eficiente em construir, produzir e entregar, mas ainda tem dificuldade de comunicar emoção e narrativa — de contar a própria história de um jeito que o brasileiro entenda. Três coisas ajudam: mostrar a China do cotidiano (não só a do governo), melhorar a comunicação com o mundo, e deixar a experiência falar. Quem anda por Shenzhen, pega um trem-bala, paga no Alipay/WeChat e vê a escala de uma BYD, Alibaba, Huawei ou Xiaomi, normalmente muda de opinião na hora.

Os dois lados, com a cabeça fria

Os dois lados, com a cabeça fria
Crédito: Acervo

O soft power chinês é real e está crescendo rápido — e é melhor entender isso do que ignorar. Mas admiração não apaga as questões políticas e os limites do modelo: o ponto não é vender a China como paraíso nem como vilã, e sim enxergar um país muito mais complexo do que o estereótipo, com tradição milenar de um lado e uma capacidade enorme de tecnologia, inovação e execução do outro.

Resumo em pontos

  • Soft power é influenciar o mundo pela admiração, não pela imposição — via cultura, marcas, tecnologia e entretenimento.
  • EUA (Hollywood, Apple, Nike) e Coreia (K-pop, Samsung) já fazem isso; a China agora faz com carro elétrico, tecnologia, energia limpa e Pop Mart/Labubu.
  • A Copa do Mundo virou vitrine: marcas chinesas aparecem nas placas, patrocínios e ônibus dos jogos.
  • O maior desafio da China é o preconceito — 3 filtros antigos: 'produto barato', 'comunismo atrasado' e distância cultural.
  • A China real surpreende: cidades modernas, +50% de carros elétricos, trem-bala, pagamento digital — um modelo próprio, nem comunismo clássico nem capitalismo americano.

Fontes

Entrevista de Theo Paul Santana (fundador do Destino China) à RedeTV Notícias 1ª Edição (23/06/2026); IEA Global EV Outlook (mais de 50% dos carros novos da China são elétricos/híbridos, 2024-2025); Pop Mart relatório 2024 (Labubu).

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