Quase todo mundo te assusta antes de ir pra China: o idioma impossível, a vigilância, o medo de ser maltratado por ser estrangeiro. Só que quem realmente foi costuma voltar contando outra história. Por trás dos números frios da recente abertura sem visto, que disparou o turismo, está o relato que mais se repete entre viajantes: uma hospitalidade que emociona. Este post mostra os dois lados, com calma. O calor humano e a segurança são reais. E nada disso apaga a barreira do idioma, o pagamento só por aplicativo, a vigilância e as questões políticas do país. Dá pra ser bem recebido e ainda assim olhar a China com olho crítico.

Os números

  • Sem visto — brasileiro entra na China sem visto desde 1º de junho de 2025, estendido até dez/2026
  • 77 países — tinham entrada sem visto na China até o fim de 2025, com permanência de até 30 dias
  • 35,17 milhões — de turistas estrangeiros entraram na China em 2025; 30,08 mi sem visto (+49,5%)
  • ~15º — posição da China entre os países mais seguros do mundo no índice Numbeo (2025)

A China abriu a porta, e pro brasileiro ficou fácil ir

A China abriu a porta, e pro brasileiro ficou fácil ir
Crédito: Acervo

A barreira que mais segurava o brasileiro era o visto. Isso mudou. Desde 1º de junho de 2025, brasileiro entra na China sem visto, dentro de uma política de isenção que começou como teste de um ano e já foi estendida até o fim de 2026, com acordo recíproco de até 30 dias. Não é caso isolado: até o fim de 2025, a China oferecia entrada sem visto a cidadãos de 77 países, e o tempo de permanência sem visto subiu de 15 para 30 dias. Há ainda o trânsito sem visto de 240 horas (10 dias), para 55 países, por 65 portos de entrada. Na prática, você compra a passagem e vai.

A abertura virou enxurrada de gente

A abertura virou enxurrada de gente
Crédito: Acervo

Essa abertura não ficou só no papel. Em 2025, 35,17 milhões de turistas estrangeiros entraram na China. Desses, 30,08 milhões entraram sem visto, ou seja, 73,1% do total, uma alta de 49,5% sobre o ano anterior. É um salto grande em pouco tempo, e parte dele aparece nas redes: viajantes que chegam ansiosos e saem impressionados com o que viram. O fenômeno é tão comum que virou tendência de vídeo, com gente registrando o choque entre o que esperava e o que encontrou.

Segurança: a parte que ninguém te conta antes

Segurança: a parte que ninguém te conta antes
Crédito: Acervo

Quem chega com medo de andar na rua costuma se surpreender. A China aparece entre os países mais seguros do mundo no índice Numbeo (em torno do 15º lugar), com homicídios e crimes com arma entre os mais baixos do planeta. Cidades grandes como Hangzhou têm índice de segurança em torno de 84,6, comparável a Tóquio ou Zurique. Parte disso é estrutural: quase tudo se paga por celular, então quase ninguém anda com dinheiro, e o transporte público é vigiado e cheio de funcionários. É bom lembrar que segurança alta e vigilância intensa andam juntas nesse caso.

Hào kè: o gosto de receber bem quem chega

Hào kè: o gosto de receber bem quem chega
Crédito: Acervo

Existe uma palavra na cultura chinesa para isso: hào kè, o gosto de receber bem o visitante, de tratar quem chega como uma honra. É um valor antigo. Importante separar: a hospitalidade que emociona não é uma estatística, é o relato que mais se repete entre viajantes. Some a isso a curiosidade. Em cidades fora do circuito turístico, muita gente nunca viu um ocidental de perto, e a reação costuma ser foto, sorriso e conversa por gesto. Não é hostilidade. É curiosidade genuína com o estrangeiro.

Os relatos que se repetem demais pra serem sorte

Os relatos que se repetem demais pra serem sorte
Crédito: Acervo

O padrão dos relatos é parecido: o viajante chega com receio e volta contando gentilezas. Gente que pega na mão para mostrar o caminho, dono de restaurante que paga a conta de um estranho, vizinho que ajuda a resolver o pagamento no aplicativo. Nada disso é regra escrita, são relatos, e relatos têm exceções. Mas se repetem demais para serem só sorte. O ponto honesto é esse: o calor humano é verdadeiro, e ao mesmo tempo é só uma parte da experiência.

Os dois lados, sem vender ilusão

Os dois lados, sem vender ilusão
Crédito: Acervo

Hospitalidade não apaga o que é difícil. O idioma é uma barreira real, e fora dos grandes centros pouca gente fala inglês. Quase tudo se paga por aplicativo, e sem um celular configurado para isso você trava em tarefas simples. E há vigilância e controle no dia a dia que incomodam quem vem do Ocidente. É aqui que eu fico: o calor humano é real, a segurança é real, e nada disso apaga as questões políticas do país. Dá pra ser muito bem recebido e ainda assim olhar a China com olho crítico. Os dois cabem na mesma viagem.

Resumo em pontos

  • Brasileiro entra na China sem visto desde 1º de junho de 2025 (isenção unilateral em teste, estendida até dez/2026, com acordo recíproco de até 30 dias).
  • Até o fim de 2025, a China dava entrada sem visto a 77 países e elevou a permanência sem visto de 15 para 30 dias; há ainda trânsito sem visto de 240 horas (10 dias) para 55 países.
  • Em 2025, 35,17 milhões de turistas estrangeiros entraram na China; 30,08 milhões sem visto (73,1% do total), alta de 49,5% sobre 2024.
  • A China aparece entre os países mais seguros no índice Numbeo (~15º), com homicídio e crime com arma entre os mais baixos do mundo; Hangzhou tem índice de segurança ~84,6.
  • A hospitalidade chinesa (hào kè) que emociona é relato comum de viajantes, não estatística; e ela convive com barreira de idioma, pagamento só por app, vigilância e questões políticas.

Fontes

Itamaraty (MRE) e Agência Brasil sobre a isenção recíproca de visto Brasil-China (2025-2026); Embaixada da China no Brasil sobre a isenção unilateral a partir de 1º/jun/2025.

gov.cn e China Daily sobre os 77 países sem visto, permanência de 30 dias e os números de turismo de 2025 (35,17 mi de estrangeiros, 30,08 mi sem visto, +49,5%); China Briefing sobre o trânsito de 240 horas; Numbeo (índice de segurança da China, 2025-2026).

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