A China já controla pedaços da energia elétrica do Brasil

Quando você paga a conta de luz, pensa numa empresa brasileira. Mas estatais do governo chinês já controlam pedaços importantes de cada etapa da energia elétrica do Brasil: da usina que gera, à linha que transmite, até a distribuidora que entrega na sua casa. Não é teoria da conspiração. São fatos públicos, registrados. E vale a pena olhar os dois lados.
Os números
- 83,7% — da CPFL é controlada pela chinesa State Grid
- 4.600 km — de linhas de Belo Monte operadas pela State Grid
- 8,3 GW — a China Three Gorges tem instalados no Brasil
- US$ 12,2 bi — o que a State Grid pagou pela CPFL (2017)
A distribuidora que chega na sua casa

A CPFL Energia é uma das maiores distribuidoras de energia do Brasil. Desde 2017 ela é controlada pela estatal chinesa State Grid, que ficou com cerca de 83,7% da companhia. Foi a empresa chinesa entregando energia diretamente na ponta, ou seja, na conta de milhões de brasileiros.
Os bilhões pagos pela CPFL

A State Grid pagou cerca de US$ 12,2 bilhões para assumir o controle da CPFL. Foi uma das maiores aquisições de uma empresa de energia brasileira por um grupo estrangeiro, e marcou a entrada definitiva do capital estatal chinês na distribuição elétrica do país.
As linhas de Belo Monte

A State Grid construiu e opera as duas linhas de transmissão de Belo Monte: mais de 4.600 km de linhas de ultra-alta tensão (800 kV) ligando o Norte ao Sudeste. É a empresa chinesa que mais investiu no setor elétrico brasileiro, com cerca de 56% de todo o investimento chinês no setor.
A China Three Gorges em solo brasileiro

A China Three Gorges (CTG), dona da maior hidrelétrica do mundo, tem no Brasil cerca de 8,3 gigawatts de capacidade instalada, entre hidrelétricas e parques eólicos. É a segunda maior investidora chinesa no setor, com cerca de 27% do total.
Mais da metade de uma Itaipu

Para dimensionar: Itaipu, a maior usina do Brasil, tem cerca de 14 gigawatts. Ou seja, só a China Three Gorges já tem mais da metade de uma Itaipu funcionando em solo brasileiro. Somando geração, transmissão e distribuição, há capital chinês em todas as pontas da nossa energia.
Os dois lados, com a cabeça fria

O lado bom é real: esse capital chegou quando o Brasil precisava de investimento pesado, e obra como Belo Monte saiu do papel. Mas energia é infraestrutura crítica: se para, para hospital, fábrica e internet. Concentrar algo tão estratégico em mãos de estatais estrangeiras merece atenção, não susto. São fatos públicos, e o mínimo é conhecê-los.
Resumo em pontos
- A CPFL Energia, uma das maiores distribuidoras do Brasil, é controlada pela estatal chinesa State Grid desde 2017 (cerca de 83,7% das ações).
- A State Grid pagou perto de US$ 12,2 bilhões pela CPFL, uma das maiores compras de uma empresa de energia brasileira por um grupo estrangeiro.
- A State Grid construiu e opera as duas linhas de transmissão de Belo Monte: mais de 4.600 km de ultra-alta tensão (800 kV) ligando o Norte ao Sudeste.
- A China Three Gorges tem cerca de 8,3 GW instalados no Brasil; só ela já representa mais da metade dos cerca de 14 GW de Itaipu, a maior usina do país.
- Há os dois lados: o investimento chinês trouxe obra que o Brasil precisava, mas energia é infraestrutura crítica e a concentração estrangeira merece atenção.
Fontes
Boston University GDP Center, China Daily, US-China Business Council, BNamericas — investimentos da State Grid e da China Three Gorges no setor elétrico do Brasil.
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