Os artistas chineses contemporâneos que valem milhões

Quando se fala em arte que vale milhões, o imaginário do brasileiro vai pra Nova York e Paris: Basquiat, Warhol, no máximo o colorido do Romero Britto. Mas existe uma cena que move bilhões e quase ninguém aqui conhece: a arte contemporânea chinesa. São artistas vivos, pintando hoje, com obras vendidas por dezenas de milhões de dólares nos maiores leilões do planeta. Cor forte, figura, rosto, ironia, a mesma linguagem pop que o público adora, só que feita na China. Aqui estão cinco nomes reais, com valores e anos verificados em leilão. E, no fim, os dois lados: o talento real e a especulação de mercado. Vale olhar com calma.
Os números
- ~US$ 23,3 milhões — valor de A Última Ceia, de Zeng Fanzhi, na Sotheby's de Hong Kong em 2013, recorde para arte asiática contemporânea na época (CNN/Sotheby's)
- ~US$ 23,7 milhões — valor de Paisagem na Neve, de Cui Ruzhuo, em leilão em Hong Kong (Poly Auction, 2016); cerca de US$ 115 milhões em vendas em 2020 (Artnet/ArtPro)
- ~US$ 15,5 milhões — valor de Bloodline: Big Family No.3, de Zhang Xiaogang, na Sotheby's em 2014 (Jing Daily)
- ~US$ 5,9 milhões — valor de Execução, de Yue Minjun, na Sotheby's de Londres em 2007, na época a obra mais cara de um artista contemporâneo chinês (Sotheby's/Wikipedia)
Zeng Fanzhi e o quadro de US$ 23 milhões

O nome que assusta o mercado é Zeng Fanzhi. Em outubro de 2013, a obra A Última Ceia, pintada por ele em 2001, foi vendida na Sotheby's de Hong Kong por cerca de US$ 23,3 milhões, o equivalente a HK$ 180 milhões. Na época, foi recorde para uma obra de arte asiática contemporânea, superando o japonês Takashi Murakami. Para sentir o tamanho: são mais de 100 milhões de reais por um único quadro, de um artista vivo, pintando até hoje. Não é obra de mestre morto há séculos, é arte contemporânea chinesa.
Cui Ruzhuo, a tinta tradicional que vale uma fortuna

Nem só de pintura ocidentalizada vive o mercado chinês. Cui Ruzhuo trabalha com tinta e paisagem no estilo tradicional, e mesmo assim atinge cifras de arte contemporânea de ponta. Uma obra sua, Paisagem na Neve, foi vendida por cerca de HK$ 184 milhões, em torno de US$ 23,7 milhões, num leilão em Hong Kong. Em 2020, ele somou aproximadamente US$ 115 milhões em vendas de leilão, ficando como o nono artista mais valioso do mundo naquele ano. Mostra que a força não está só na arte de cara ocidental.
Zhang Xiaogang e a série Bloodline

Aqui mora a ponte com a arte que o brasileiro já reconhece. Zhang Xiaogang pinta a série Bloodline, ou Big Family: retratos de família com rostos parados, pele acinzentada e olhos grandes e escuros, inspirados nas fotos de estúdio da China dos anos 1950 e 1960. É figura, é rosto, é memória coletiva de um país inteiro. Uma dessas telas, Bloodline: Big Family No.3, foi vendida por cerca de US$ 15,5 milhões na Sotheby's, em 2014. Retrato de família virou um dos itens mais cobiçados do mercado.
Yue Minjun e os rostos rindo do realismo cínico

Esse você reconhece na hora: Yue Minjun é o dos rostos rosados rindo, escancarados, repetidos em série. A crítica batizou isso de realismo cínico, um movimento irônico e debochado que é primo direto da arte pop, colorido e provocador. A obra mais famosa dele, Execução, de 1995, foi vendida na Sotheby's de Londres em 2007 por 2,9 milhões de libras, cerca de US$ 5,9 milhões, na época a obra mais cara de um artista contemporâneo chinês. Rosto rindo, cor forte e crítica social, com o leilão pagando milhões.
Liu Ye e as cores vibrantes

Liu Ye fecha a lista pelo lado mais colorido e lúdico. Suas telas têm vermelhos, azuis e figuras quase de livro infantil, bonitas de um jeito que prende o olho, com influência confessa da arte ocidental e da estética pop. A obra Fumaça, de 2001 e 2002, foi vendida por cerca de HK$ 52,18 milhões, em torno de US$ 6,6 milhões, na Sotheby's de Hong Kong, em 2019, recorde do artista. É a prova de que a cena chinesa não é só peso político e crítica social: também tem cor, leveza e mercado milionário.
Os dois lados: talento real e especulação

Para ser honesto com você, é preciso ver as duas pontas. De um lado, há talento e reconhecimento de verdade: esses artistas estão em museus sérios pelo mundo, com obra estudada e exposta, não é invenção do leilão. Do outro lado, há especulação: o mercado asiático de arte aqueceu muito, há colecionadores extremamente ricos e parte do preço sobe mais por moda e status do que por mérito puro. As duas coisas convivem. Não é só genialidade, nem só bolha. É arte e é mercado ao mesmo tempo, e o mais interessante está justamente nesse meio.
Resumo em pontos
- Zeng Fanzhi: A Última Ceia (2001) vendida por cerca de US$ 23,3 milhões (HK$ 180 milhões) na Sotheby's de Hong Kong em outubro de 2013, recorde para arte asiática contemporânea na época (CNN Business, Sotheby's).
- Cui Ruzhuo: Paisagem na Neve vendida por cerca de HK$ 184 milhões (US$ 23,7 milhões) em leilão em Hong Kong (Poly Auction, 2016); cerca de US$ 115 milhões em vendas em 2020, 9º artista mais valioso do mundo no ano (Artnet News, ArtPro).
- Zhang Xiaogang: série Bloodline / Big Family; Bloodline: Big Family No.3 vendida por cerca de US$ 15,5 milhões na Sotheby's em 2014 (Jing Daily, Art Auctions Info).
- Yue Minjun: rostos rindo do realismo cínico; Execução (1995) vendida por 2,9 milhões de libras (cerca de US$ 5,9 milhões) na Sotheby's de Londres em 2007, na época a obra mais cara de um artista contemporâneo chinês (Sotheby's, Wikipedia).
- Liu Ye: cores vibrantes; Fumaça (2001-2002) vendida por cerca de HK$ 52,18 milhões (US$ 6,6 milhões) na Sotheby's de Hong Kong em 2019, recorde do artista (The Value, Sotheby's).
Fontes
CNN Business e Sotheby's (Zeng Fanzhi, A Última Ceia, US$ 23,3 milhões / HK$ 180 milhões, Sotheby's Hong Kong, outubro de 2013, recorde de arte asiática contemporânea na época); Artnet News e ArtPro (Cui Ruzhuo, Paisagem na Neve por cerca de HK$ 184 milhões / US$ 23,7 milhões em Hong Kong, e cerca de US$ 115 milhões em vendas em 2020, 9º artista mais valioso do mundo); Jing Daily e Art Auctions Info (Zhang Xiaogang, série Bloodline / Big Family, Big Family No.3 por cerca de US$ 15,5 milhões, Sotheby's 2014); Sotheby's e Wikipedia (Yue Minjun, Execução por 2,9 milhões de libras / US$ 5,9 milhões, Sotheby's Londres 2007, realismo cínico); The Value e Sotheby's (Liu Ye, Fumaça por cerca de HK$ 52,18 milhões / US$ 6,6 milhões, Sotheby's Hong Kong 2019, recorde do artista).
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