Em 1979, a China adotou a política do filho único para conter o tamanho da população. Décadas depois, o resultado é um país com dezenas de milhões de homens a mais que mulheres e uma natalidade que não reage a nenhum incentivo. É a história de um Estado que conseguiu frear a população na marra, mas não consegue convencê-la a voltar a ter filhos.

Os números

  • 34,9 mi — de homens a mais que mulheres (censo 2021)
  • 112:100 — meninos para cada 100 meninas no auge
  • 1979 — início da política do filho único
  • 3 — filhos liberados desde 2021 — sem efeito

A regra de 1979

Para conter a população, a China adotou a política do filho único. Cada casal podia ter apenas um filho, e o Estado fiscalizava de perto. Quem desobedecia podia perder bens e emprego, e houve casos de aborto forçado.

O ultrassom barato

O ultrassom barato
Crédito: Pew Research

Nos anos 1990, o ultrassom ficou acessível, por volta de US$ 20, e passou a revelar o sexo do bebê antes de nascer. Em muitas famílias rurais, onde o filho homem significava força de trabalho e continuidade do nome, houve seleção de sexo.

O desequilíbrio acumulado

O desequilíbrio acumulado
Crédito: Censo da China (2021)

A razão de sexo ao nascer chegou a 112 meninos para 100 meninas, com pico de 118 para 100 entre 2002 e 2008, contra uma média global de cerca de 105 para 100. O censo de 2021 contou 723,34 milhões de homens e 688,44 milhões de mulheres.

Galhos secos

Existe um termo chinês para os homens que não conseguem casar: 光棍 (guānggùn), traduzido como galhos ou varas secas. Por trás da expressão estão milhões de histórias de solidão e pressão familiar.

O Estado mudou de lado

O Estado mudou de lado
Crédito: Newsweek

Vendo a população envelhecer, a China afrouxou a política: dois filhos em 2016 e três em 2021, com campanhas, incentivos em dinheiro, licenças e promessa de parto gratuito. O mesmo Estado que multava agora pede mais filhos.

Por que não compensa

Por que não compensa
Crédito: Pew Research

A natalidade não reagiu. Muitas mulheres, sobretudo nas cidades, olham o custo de vida e a carga que recai sobre elas e decidem que não compensa. O caso mostra o poder e o limite do Estado, e que jogar dinheiro não resolve quando a raiz é econômica e social.

Resumo em pontos

  • Em 1979 a China adotou a política do filho único e fiscalizava de perto, com punições e casos de aborto forçado.
  • O ultrassom barato dos anos 1990 permitiu seleção de sexo, sobretudo no campo, onde o filho homem era preferido.
  • O censo de 2021 contou 34,9 milhões de homens a mais que mulheres, com razão de até 112 meninos para 100 meninas.
  • A China liberou dois filhos em 2016 e três em 2021, com incentivos, mas a natalidade não reagiu.
  • Muitas mulheres das cidades decidem não ter filhos pelo custo de vida e pela carga que recai sobre elas.

Fontes

Censo da China (2021), Newsweek, Pew Research, Wikipedia (sex-ratio imbalance in China).

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