Trump acusa a China de fraude eleitoral e prepara tapete vermelho pra Xi Jinping

Tarifas expirando, acusação de fraude eleitoral e tapete vermelho pra Xi: o jogo duplo de Trump com a China. Em uma mesma semana de julho, EUA e China trocaram acusações de espionagem e seguiram negociando tarifas bilionárias.
Os números
- 24/07/2026 — Data em que as tarifas emergenciais dos EUA (Seção 122) expiram por lei
- 13% → 7,2% — Queda estimada na tarifa média efetiva dos EUA sem prorrogação da Seção 122
- 12,5% — Sobretaxa proposta pelo USTR para produtos de 46 países (plano B via Seção 301)
- 10% — Tarifa dos EUA sobre produtos chineses mantida até 9 de novembro de 2026, após trégua de maio
- 220 milhões — Arquivos de eleitores dos EUA que Trump alega terem sido acessados pela China em 2020
- 3 de novembro — Data das eleições de meio de mandato (midterms) dos EUA em 2026
Por que as tarifas de Trump têm prazo de validade

A Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou, em fevereiro de 2026, as tarifas que Donald Trump havia imposto com base na Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), por 6 votos a 3. Pra contornar a decisão, o governo passou a cobrar tarifas sob a Seção 122 da Lei de Comércio, mecanismo que por lei só pode durar 150 dias sem aprovação do Congresso. Esse prazo vence à meia-noite de 24 de julho de 2026. Sem uma lei aprovada pelo Congresso prorrogando a medida, a tarifa perde efeito automaticamente.
Congresso não deve mexer nisso antes da eleição

A extensão da Seção 122 depende de uma lei aprovada pelo Congresso americano, e não há projeto nesse sentido em tramitação. Com as eleições de meio de mandato marcadas pra 3 de novembro de 2026 e o eleitorado pressionando o governo por causa do custo de vida, parlamentares evitam votar por mais tarifas antes das urnas. Analistas da Capital Economics estimam que a tarifa efetiva média dos EUA pode cair de cerca de 13% pra 7,2% se a Seção 122 simplesmente expirar sem substituto. Isso não significa fim do protecionismo — o governo já tem um plano B em andamento.
O plano B: Seção 301 e uma sobretaxa pra 46 países

Enquanto a Seção 122 caminha pra expiração, o escritório do Representante de Comércio dos EUA (USTR) corre pra concluir investigações da Seção 301, outro mecanismo legal usado historicamente contra a China. A proposta em análise prevê uma sobretaxa de 12,5% sobre produtos vindos de 46 países considerados 'superprodutores', incluindo China, União Europeia e Japão. Na prática, o governo Trump troca a base legal da tarifa, mas mantém a pressão comercial. O prazo pra concluir essa investigação era 20 de julho de 2026.
A trégua com a China tem prazo — e ele bate perto da eleição

Em maio de 2026, no encontro entre Trump e o presidente chinês Xi Jinping, os dois países fecharam um acordo temporário: os EUA suspenderam por um ano uma tarifa retaliatória extra de 24% sobre produtos chineses, mantendo a taxa em 10%. Em troca, a China suspendeu por um ano os controles de exportação de terras raras — minerais essenciais pra chips e pra indústria de defesa americana. As duas suspensões vencem em 9 e 10 de novembro de 2026, dias depois dos midterms, o que analistas apontam como cálculo político dos dois lados.
A acusação bombástica que não rompeu a relação

Em 17 de julho de 2026, Trump acusou a China de ter promovido 'o maior comprometimento de dados eleitorais da história', alegando que o país obteve arquivos de 220 milhões de eleitores americanos em 2020 pra prejudicar sua candidatura. Ele determinou que quatro agências federais investigassem o caso e ameaçou demitir e processar autoridades de inteligência que, segundo ele, esconderam a informação. O Ministério das Relações Exteriores da China, pela voz do porta-voz Lin Jian, negou qualquer interferência. No dia seguinte, a Casa Branca confirmou que os planos pra receber Xi Jinping em visita de estado em Washington, prevista pra setembro, seguem normalmente — sinal de que a acusação pesa mais na política interna do que na diplomacia real.
Resumo em pontos
- Suprema Corte derrubou as tarifas de Trump baseadas na IEEPA; a alternativa (Seção 122) expira por lei em 24 de julho de 2026.
- Sem prorrogação do Congresso, a tarifa média efetiva dos EUA pode cair de 13% pra 7,2% — mas o governo já prepara substituto via Seção 301 (12,5% pra 46 países).
- Com a China, existe trégua desde maio: tarifa em 10% e terras raras liberadas, ambas até 9-10 de novembro de 2026, logo após os midterms.
- Trump acusou a China de acessar dados de 220 milhões de eleitores americanos em 2020; a China nega qualquer interferência.
- Apesar da acusação, a Casa Branca mantém os planos pra visita de estado de Xi Jinping a Washington em setembro — sem sanção ou ruptura comercial.
Fontes
CNN Politics - "Trump alleged China took US election data. Its leader is still planning for a lavish state visit to the US" (17/07/2026): https://www.cnn.com/2026/07/17/politics/china-election-trump-xi-state-visit
CNN Brasil - "Trump sob pressão: Irã, inflação e China entram no jogo eleitoral" (19/07/2026): https://www.cnnbrasil.com.br/internacional/trump-sob-pressao-ira-inflacao-e-china-entram-no-jogo-eleitoral/
Trade Law Counsel - "Section 122 Global Surcharge Set to Expire July 24 by Operation of Law" (julho de 2026): https://www.tradelawcounsel.com/insights-news/2026/7/4/section-122-surcharge-sunsets-july-24-what-importers-should-do-beforeand-afterthe-150-day-clock-runs-out
S&P Global - "FACTBOX: Trump-Xi summit to tackle China's rare earth dominance" (13/05/2026): https://www.spglobal.com/energy/en/news-research/latest-news/metals/051326-factbox-trump-xi-summit-to-tackle-chinas-rare-earth-dominance
Brasil de Fato - "Trump exigiu que Brasil barrasse China e zerasse tarifas comerciais em troca de redução na taxação" (17/07/2026): https://www.brasildefato.com.br/2026/07/17/trump-exigiu-que-brasil-barrasse-china-e-zerasse-tarifas-comerciais-em-troca-de-reducao-na-taxacao/
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