A Luckin caiu numa fraude bilionária, foi expulsa da bolsa e voltou pra superar a Starbucks na China. Aqui está a história completa, os números e a lição, com as fontes.

Os números

  • ~US$300 mi — as vendas que a Luckin fabricou na fraude de 2020 — que a levou a ser expulsa da bolsa de Nova York
  • 2023 — o ano em que a Luckin superou a Starbucks em receita na China (~US$3,5 bi vs ~US$3,2 bi)
  • 22.300 vs 7.600 — as lojas da Luckin contra as da Starbucks na China (fim de 2024) — mais de 3x mais
  • 9,9 yuans — o preço do café que a Luckin popularizou (uns 7 reais), bem abaixo dos 30+ yuans da Starbucks
  • 5,42 milhões — os copos do latte com licor Moutai vendidos só no 1º dia (mais de 100 milhões de yuans)
  • 2025 — quando a Luckin abriu suas primeiras lojas nos EUA (Manhattan), indo brigar no quintal da Starbucks

Primeiro, o que é a Luckin

Primeiro, o que é a Luckin
Crédito: Loja da Luckin Coffee / Wikimedia Commons

Fundada em 2017, a Luckin é uma cafeteria chinesa que funciona só por aplicativo: sem caixa, foco em retirada rápida e entrega. Ela se vê como uma empresa de tecnologia que vende café. Já em 2019, tinha mais lojas que a Starbucks na China.

Aí veio o escândalo (2020) — e a volta

Aí veio o escândalo (2020) — e a volta
Crédito: Interior de uma Starbucks na China / Wikimedia Commons

Descobriu-se que a Luckin tinha fabricado cerca de US$300 milhões em vendas. O resultado foi brutal: a ação despencou, o CEO caiu, a empresa foi expulsa da bolsa de Nova York e pagou US$180 milhões de multa. Todo mundo deu a empresa como morta. Mas ela não morreu: reestruturada, em 2023 superou a Starbucks em receita na China (cerca de US$3,5 bilhões contra US$3,2 bi).

O segredo: preço e guerra

O segredo: preço e guerra
Crédito: Loja da Cotti Coffee (rival da Luckin) / Wikimedia Commons

A Luckin popularizou o café a 9,9 yuans (uns 7 reais) — bem abaixo dos 30+ yuans da Starbucks. E trava uma guerra de preços com a Cotti, rede criada pelos próprios fundadores que saíram da Luckin. O consumidor chinês agradece; as margens sangram; e o mercado explode. No fim de 2024, a Luckin tinha cerca de 22.300 lojas na China, contra 7.600 da Starbucks.

E viraliza como ninguém

E viraliza como ninguém
Crédito: Copo da Luckin Coffee / Wikimedia Commons

O maior exemplo: o latte com licor Moutai (a bebida nacional da China), lançado em 2023, vendeu 5,42 milhões de copos e mais de 100 milhões de yuans só no primeiro dia. Café com bebida alcoólica virou fenômeno nacional. É marketing na velocidade da internet, movido a app e dados.

E agora atravessou o oceano

E agora atravessou o oceano
Crédito: Loja da Luckin em Manhattan, Nova York / Wikimedia Commons

Em 2025, a Luckin abriu suas primeiras lojas nos Estados Unidos, em Manhattan — indo brigar no quintal da Starbucks. De fraude bilionária a exportadora do modelo chinês de cafeteria. A lição: tecnologia (app, dados), preço agressivo e velocidade batendo uma marca ocidental tradicional no próprio jogo — o mesmo manual que a China aplica em carro, celular e varejo, e que todo empreendedor deveria estudar.

Resumo em pontos

  • Luckin (fundada em 2017, só por app) fabricou ~US$300 mi em vendas (2020), foi expulsa da Nasdaq e pagou US$180 mi de multa.
  • Voltou: superou a Starbucks em receita na China em 2023 (~US$3,5 bi vs ~US$3,2 bi).
  • Lojas: ~22.300 (Luckin) vs ~7.600 (Starbucks) na China (fim de 2024), mais de 3x mais.
  • Segredo: café a 9,9 yuans, guerra de preços com a Cotti e marketing viral (latte Moutai: 5,42 mi de copos no 1º dia).
  • Entrou nos EUA em 2025 (Manhattan). Lição: tecnologia + preço + velocidade batendo a marca ocidental no próprio jogo.

Fontes

Wikipedia / NPR: modelo (só por app) e mais lojas que a Starbucks já em 2019. SEC / Al Jazeera: fraude de ~US$300 mi, deslistagem da Nasdaq e multa de US$180 mi. CNN / China Daily: superação da Starbucks em receita na China (2023). Wikipedia: contagem de lojas (~22.300 vs ~7.596). BambooWorks / CampaignAsia: café a 9,9 yuans e latte Moutai (5,42 mi de copos no 1º dia). TechBuzzChina: guerra de preços com a Cotti. CNN: entrada nos EUA (Manhattan, 2025).

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