Ferrovia do Tibete: o trem que sobe a 5.072 m e resiste ao permafrost

Existe um trem que cruza o teto do mundo a 5.072 metros de altitude, mais alto que o acampamento base do Everest do lado do Nepal. A China construiu essa ferrovia sobre permafrost, solo congelado o ano todo que deveria tornar impossível sustentar trilhos.
Os números
- 5.072 m — altitude do ponto mais alto, no Passo de Tanggula
- 1.956 km — extensão total da Ferrovia Qinghai-Tibete (Xining-Lhasa)
- 550 km — trecho construído sobre permafrost
- 675 — pontes ao longo da linha, somando 160 km
- 2006 — ano de inauguração do trecho Golmud-Lhasa
- US$ 3,68 bi — custo do trecho final Golmud-Lhasa
O que é a Ferrovia Qinghai-Tibete

A Ferrovia Qinghai-Tibete liga Xining, na província de Qinghai, a Lhasa, capital da Região Autônoma do Tibete, ao longo de 1.956 km. O trecho Xining-Golmud abriu em 1984; o trecho final, Golmud-Lhasa, cruza o platô tibetano e foi inaugurado em 1º de julho de 2006, após cinco anos de obras e um investimento de US$ 3,68 bilhões. É considerada uma das maiores obras de engenharia ferroviária do século 21.
O ponto mais alto do mundo em trilhos

O trem cruza o Passo de Tanggula a 5.072 metros de altitude, o ponto mais alto de qualquer ferrovia do planeta. A estação de Tanggula, a 5.068 m, é a estação ferroviária mais alta do mundo. No total, 960 km de trilhos ficam acima dos 4.000 metros, e o túnel de Fenghuoshan, a 4.905 m, é o túnel ferroviário mais alto já construído.
O desafio do permafrost

Permafrost é solo que permanece congelado durante todo o ano, comum no platô tibetano. O calor gerado pela própria estrutura ferroviária, somado ao aquecimento regional, derrete essa camada, provocando afundamentos e rachaduras. Cerca de 550 km da Qinghai-Tibete atravessam áreas de permafrost, um desafio que nenhuma ferrovia de longa distância havia enfrentado nessa escala antes.
As soluções de engenharia

Para manter o solo congelado, os engenheiros instalaram milhares de tubos de amônia líquida (thermosyphons, ou "hot bars") que absorvem o calor do subsolo e o dissipam no ar frio da superfície. Também usaram aterros ventilados, placas refletoras de sol e, nos trechos mais instáveis, substituíram o aterro de terra por pontes elevadas sobre pilares. A linha soma 675 pontes, totalizando 160 km de extensão.
Expansão: Sichuan-Tibete e o futuro das ferrovias no Tibete

Em junho de 2021, abriu o trecho Lhasa-Nyingchi, de 435 km, com 90% do trajeto acima de 3.000 metros. Ele é parte da futura Ferrovia Sichuan-Tibete, que vai ligar Chengdu a Lhasa em 1.629 km. O trecho intermediário, ainda em obras e previsto para 2030, é tão acidentado que 84% do trajeto passa dentro de túneis, incluindo um de 42,5 km de extensão.
Resumo em pontos
- O trem cruza o Passo de Tanggula a 5.072 m, o ponto mais alto do mundo em trilhos
- A ferrovia Qinghai-Tibete tem 1.956 km e foi concluída em 2006, com 550 km sobre permafrost
- Tubos de amônia líquida (thermosyphons) mantêm o solo congelado sob os trilhos
- Vagões pressurizados e oxigênio suplementar protegem os passageiros do mal de altitude
- A rede está crescendo: Sichuan-Tibete vai ligar Chengdu a Lhasa até 2030
Fontes
Wikipedia - Qinghai–Tibet railway (acesso 2026): https://en.wikipedia.org/wiki/Qinghai%E2%80%93Tibet_railway
Wikipedia - Sichuan–Tibet railway (acesso 2026): https://en.wikipedia.org/wiki/Sichuan%E2%80%93Tibet_railway
CNN Brasil - Trem-bala é inaugurado no Tibete a mais de 3 mil metros acima do nível do mar: https://www.cnnbrasil.com.br/viagemegastronomia/viagem/trem-bala-e-inaugurado-no-tibete-a-mais-de-3-mil-metros-acima-do-nivel-do-mar/
ScienceDirect - A roadbed cooling approach for the construction of Qinghai–Tibet Railway: https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0165232X05000042
tibettravel.org - Oxygen Supply on Tibet Train: https://www.tibettravel.org/tibet-train/oxygen-supply.html
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