A perpétua do dono da Evergrande

Em 20 de agosto de 2026, o tribunal de Shenzhen condenou Hui Ka Yan (Xu Jiayin, 许家印), fundador da Evergrande, à prisão perpétua, com confisco de todos os bens pessoais e perda permanente dos direitos políticos. É o ponto final de uma das maiores histórias de ascensão e queda do capitalismo moderno — e ela diz muito sobre para onde a China está indo, o que interessa diretamente a quem importa de lá.
Os números
- US$ 300 bilhões —
- ¥ 564 bilhões —
- prisão perpétua —
De Henan ao topo da Ásia
Hui Ka Yan nasceu pobre na província de Henan em 1958, perdeu a mãe ainda bebê, foi criado pela avó e trabalhou numa siderúrgica antes de empreender. Em 1996 fundou a Evergrande em Guangzhou, na largada da maior urbanização da história. Em 2009 a empresa abriu capital em Hong Kong; em 2017, a fortuna pessoal de Hui chegou a cerca de US$ 43 bilhões e ele se tornou o homem mais rico da Ásia.
O modelo que não podia parar
O motor era vender apartamento na planta, usar o dinheiro do comprador para adquirir mais terreno e tomar mais dívida para crescer. O modelo funciona enquanto o preço do imóvel sobe e as vendas aceleram. Em 2020, o governo chinês apertou as regras de endividamento das incorporadoras — e a bicicleta parou de pedalar.
A queda em câmera lenta
Em dezembro de 2021 a Evergrande deu o calote formal. Canteiros pararam, credores correram e famílias que haviam pagado por imóveis na planta protestaram na sede da empresa. Em 28 de setembro de 2023, Hui foi detido. Em janeiro de 2024, a Justiça de Hong Kong ordenou a liquidação da companhia. Os reguladores apontaram receita inflada em ¥ 564 bilhões nos balanços de 2019 e 2020.
A sentença
Em 20 de agosto de 2026, o tribunal de Shenzhen condenou Hui à prisão perpétua por fraude financeira — inflar ativos e esconder passivos —, captação ilegal de recursos do público e divulgação ilegal de informação relevante. Ele perdeu todos os bens e os direitos políticos. As empresas do grupo receberam multas que somam ¥ 15,8 bilhões, e outros cinco executivos foram condenados a penas de 6 a 18 anos.
O contraste que explica a China
Na crise financeira de 2008, nos Estados Unidos, nenhum grande executivo de banco foi preso e as instituições foram socorridas com dinheiro público. Na China, o dono da segunda maior incorporadora do país foi condenado a morrer na prisão. No modelo chinês, 'grande demais para quebrar' não protege nem a empresa, nem o dono — e essa régua vale para todo o mercado.
Para onde o dinheiro foi
A parte que quase ninguém percebe: a China deixou o setor imobiliário encolher de propósito. O crédito que inflava o tijolo foi redirecionado para a indústria — carro elétrico, robótica, semicondutores, espaço. O país trocou especulação imobiliária por capacidade industrial, e é exatamente dessa indústria que o importador brasileiro compra. Entender esse movimento é entender por que a fábrica chinesa está cada vez mais forte. Se você quer se posicionar nessa nova fase da China, preencha o formulário abaixo que o nosso time entra em contato.
Resumo em pontos
- Em 20/08/2026 o tribunal de Shenzhen condenou Hui Ka Yan à prisão perpétua, com confisco de todos os bens.
- Crimes: fraude financeira (inflar ativos e esconder passivos), captação ilegal e divulgação ilegal de informação.
- Multas de ¥ 15,8 bilhões às empresas do grupo; outros cinco executivos pegaram de 6 a 18 anos.
- A Evergrande deu calote em dezembro de 2021 com cerca de US$ 300 bilhões em passivos.
- Reguladores apontaram ¥ 564 bilhões (~US$ 78 bi) de receita inflada em 2019-2020.
- Em 2017 Hui era o homem mais rico da Ásia, com fortuna estimada em US$ 43 bilhões.
- O crédito saiu do imóvel para a indústria: carro elétrico, robótica, chip — a fábrica de onde o Brasil importa.
Fontes
CNN Brasil, 20/08/2026 — Fundador da Evergrande é condenado à prisão perpétua na China (tribunal de Shenzhen, crimes, multas de ¥ 8,82 bi e ¥ 7 bi, confisco de bens)
G1, 20/08/2026 — Fundador da Evergrande é condenado a prisão perpétua; penas de outros cinco executivos vão de 6 a 18 anos
Reuters, Bloomberg, AP e South China Morning Post, 20/08/2026 — cobertura da sentença
Reuters e imprensa financeira, 2021-2024 — calote de dezembro/2021, passivos de ~US$ 300 bilhões, detenção de Hui em 28/09/2023 e ordem de liquidação em Hong Kong em janeiro/2024
CSRC (regulador chinês), março/2024 — receita inflada em ¥ 564,1 bilhões nos balanços de 2019-2020
Forbes/Hurun, 2017 — Hui Ka Yan como o homem mais rico da Ásia, com fortuna de ~US$ 43 bilhões
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