Quando se fala em China, todo mundo pensa em onde as coisas são fabricadas. Mas tem um detalhe que quase ninguém percebe: a China também é por onde as coisas passam. E poucos lugares mostram isso melhor que o porto de Yantian, em Shenzhen, ao lado de Hong Kong. É um dos maiores terminais de contêineres do mundo e a principal saída dos eletrônicos do delta do Rio das Pérolas. Em 2021, quando um surto de covid travou o porto, a cadeia global inteira sentiu. São fatos públicos, com números e fontes. Vale olhar com calma, pelos dois lados.

Os números

  • +13 mi TEU — de contêineres passam por Yantian todo ano (movimentação anual)
  • — Yantian já foi apontado como o 4º porto de contêineres mais movimentado do mundo
  • ~20% — da capacidade foi a quanto Yantian chegou a operar no surto de covid de 2021
  • 7 de 10 — dos maiores portos de contêiner do mundo são chineses (2023)

Onde fica e por que importa

Onde fica e por que importa
Crédito: Acervo

Yantian fica em Shenzhen, província de Guangdong, no sul da China, colado em Hong Kong, dentro do delta do Rio das Pérolas. É essa região que monta boa parte dos eletrônicos que o mundo compra: celulares, TVs, componentes. Yantian é o portão por onde tudo isso é despachado para o resto do planeta. Por isso, quando se fala em produtos que saem da China, há uma boa chance de terem passado exatamente por ali antes de cruzar o oceano.

Um dos maiores terminais de contêineres do mundo

Um dos maiores terminais de contêineres do mundo
Crédito: Acervo

Yantian é um dos maiores terminais de contêineres do planeta e já foi apontado como o quarto porto de contêineres mais movimentado do mundo. A movimentação anual passa de 13 a 14 milhões de TEU, a unidade que mede contêineres padrão. São navios gigantes, do tamanho de prédios deitados, entrando e saindo sem parar, cada um carregando milhares de caixas. Cada caixa tem dentro o que vai parar na prateleira de alguma loja do outro lado do mundo.

A principal saída dos eletrônicos da China

A principal saída dos eletrônicos da China
Crédito: Acervo

Yantian não é um porto qualquer. É uma das principais saídas de exportação da China e o hub de despacho do delta do Rio das Pérolas, o coração eletrônico do país. Segundo dados oficiais de Shenzhen, cerca de um quarto de todo o comércio exterior entre China e Estados Unidos passa por ali. Isso dá ao porto um peso desproporcional na cadeia de suprimentos global: não é só um terminal eficiente, é um ponto crítico por onde corre uma fatia enorme do comércio mundial.

2021: quando o porto travou e o mundo sentiu

2021: quando o porto travou e o mundo sentiu
Crédito: Acervo

No fim de maio de 2021, um surto de covid entre os trabalhadores fechou parte do terminal de Yantian. O porto chegou a operar com cerca de 20% da capacidade normal. Resultado: um engarrafamento de navios no mar e cerca de 300 mil contêineres represados, esperando para embarcar. Especialistas e a imprensa descreveram o estrago como pior que o bloqueio do Canal de Suez ocorrido em março daquele mesmo ano. Entre 1 e 15 de junho, 298 navios, com mais de 3 milhões de TEU de capacidade, simplesmente pularam o porto.

Não é um porto, é um sistema

Não é um porto, é um sistema
Crédito: Acervo

Yantian não está sozinho. A China tem 7 dos 10 maiores portos de contêiner do mundo, incluindo Shanghai, Ningbo, Shenzhen, Guangzhou, Qingdao e Tianjin, segundo levantamentos de 2023. É um sistema portuário inteiro, integrado, que move uma parte enorme do comércio global. Não se trata de um único terminal eficiente, mas de uma infraestrutura logística em escala que nenhum outro país replica hoje. Entender isso ajuda a enxergar por que tantas cadeias produtivas do mundo passam pela China em algum momento.

Os dois lados: eficiência colossal e dependência global

Os dois lados: eficiência colossal e dependência global
Crédito: Acervo

Para ser honesto, há dois lados nessa história. De um lado, uma eficiência colossal: portos que movem o planeta numa velocidade e numa escala que poucos lugares alcançam. De outro, uma fragilidade que a própria escala cria. Quando um elo trava, como aconteceu em 2021, a cadeia do mundo inteiro sente, com frete mais caro e produto sumindo da prateleira longe da China. Não é nem o paraíso da eficiência absoluta, nem só um risco a ser temido. É a constatação de que boa parte do comércio global depende, hoje, de pontos como Yantian.

Resumo em pontos

  • Yantian fica em Shenzhen (Guangdong), no delta do Rio das Pérolas, ao lado de Hong Kong, e é a principal saída dos eletrônicos da região (YICT / Unisco / Shenzhen Gov).
  • É um dos maiores terminais de contêineres do mundo e já foi apontado como o 4º mais movimentado, com movimentação anual acima de 13 a 14 milhões de TEU (Unisco / Shenzhen Gov / CNBC).
  • Cerca de um quarto de todo o comércio exterior entre China e Estados Unidos passa por Yantian (Shenzhen Government Online).
  • Em 2021, um surto de covid travou o porto, que operou a ~20% da capacidade, com cerca de 300 mil TEU represados; o impacto foi descrito como pior que o bloqueio do Canal de Suez, e 298 navios pularam o porto entre 1 e 15 de junho (CNBC / Flexport / Supply Chain Dive / Maritime Executive).
  • A China tem 7 dos 10 maiores portos de contêiner do mundo, incluindo Shanghai, Ningbo, Shenzhen, Guangzhou, Qingdao e Tianjin (Yicai Global, 2023).

Fontes

YICT (Yantian International Container Terminals), Unisco e Shenzhen Government Online (localização em Shenzhen/delta do Rio das Pérolas, um dos maiores terminais de contêineres do mundo, movimentação anual acima de 13-14 milhões de TEU, ~1/4 do comércio China-EUA); CNBC, Flexport, Supply Chain Dive e Maritime Executive (surto de covid de maio-junho de 2021, operação a ~20% da capacidade, ~300 mil TEU represados, impacto descrito como pior que o bloqueio do Canal de Suez, 298 navios pularam o porto); Yicai Global, 2023 (China com 7 dos 10 maiores portos de contêiner do mundo).

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