A China é um dos maiores mercados de arte do mundo

Quando se fala em arte cara, leilão milionário e colecionador rico, o imaginário ainda é Nova York e Londres. Mas um dos maiores mercados de arte do mundo hoje é a China. Somando o continente e Hong Kong, o país já foi o segundo maior mercado global, tem as próprias leiloeiras gigantes, concentra em Hong Kong um dos maiores centros de leilão do planeta e formou uma geração de colecionadores que trata arte como reserva de valor. São fatos públicos, com números e fontes, principalmente do relatório Art Basel & UBS. Vale olhar com calma, sem romantizar nem demonizar.
Os números
- 2º lugar / 19% — a China (continente + Hong Kong) foi o 2º maior mercado de arte do mundo em 2023, com 19% das vendas globais (Art Basel & UBS)
- ~14,5% — dos leilões de arte do mundo passaram por Hong Kong em 2025, o 3º maior centro, atrás de Nova York e Londres (Ocula)
- 5 das 10 — maiores leiloeiras do mundo já são chinesas, lideradas por Poly Auction e China Guardian (Conseil des Ventes)
- ~US$ 97 mil — gasto mediano dos compradores da China continental, os maiores gastadores em arte e antiguidades em 2023 (Art Basel & UBS)
Um dos maiores mercados de arte do planeta

Em 2023, a China, somando a China continental e Hong Kong, foi o segundo maior mercado de arte do mundo, com 19% de todas as vendas globais por valor, segundo o relatório Art Basel & UBS. Ela ultrapassou o Reino Unido, a terra histórica da Sotheby's e da Christie's, e mandou Londres para o terceiro lugar, atrás apenas dos Estados Unidos. O mercado é cíclico: em 2024 a China recuou para o terceiro lugar com 15% e em 2025 ficou com cerca de 14%, mas segue entre os três maiores do mundo. O dinheiro da arte deixou de ser só ocidental há anos.
Hong Kong, a porta de leilão da Ásia

Hong Kong é o coração desse mercado. Em 2025, a cidade sozinha respondeu por cerca de 14,5% de todas as vendas de leilão de arte do mundo, sendo o terceiro maior centro de leilão do planeta, atrás apenas de Nova York e Londres. Não é novidade: Sotheby's, Christie's e Phillips, as gigantes ocidentais, mantêm sua sede asiática em Hong Kong há décadas. Para vender arte de alto valor na Ásia, o caminho passa pela China.
A China tem as próprias leiloeiras gigantes

A China não depende só das casas ocidentais. Ela tem as próprias gigantes, nascidas em Pequim: a Beijing Poly, conhecida como Poly Auction, e a China Guardian. Segundo o regulador francês de leilões, o Conseil des Ventes, metade das vinte maiores leiloeiras do mundo e cinco das dez maiores já são chinesas. A China Guardian foi a primeira casa do país a se especializar em arte chinesa e a se internacionalizar. Essas casas viraram concorrência direta para Christie's e Sotheby's.
Os maiores compradores de arte do mundo

Não adianta ter leiloeira sem comprador, e a China tem os maiores. Os colecionadores da China continental foram os maiores gastadores em arte e antiguidades em 2023, com um gasto mediano de cerca de 97 mil dólares por colecionador na primeira metade de 2024, mais que o dobro de qualquer outra região, segundo o Art Basel & UBS. Mesmo com a economia chinesa desacelerando, os colecionadores seguiram comprando, com apetite forte tanto entre os mais jovens quanto entre os veteranos.
Arte como reserva de valor e investimento

Para boa parte dos ricos na China, arte não é enfeite na parede, é ativo. Arte e antiguidade funcionam como reserva de valor e proteção contra a inflação, com baixa correlação com o mercado financeiro tradicional, o que ajuda a diversificar grandes fortunas. O caso mais simbólico é o do bilionário Liu Yiqian, que pagou cerca de 170 milhões de dólares por um único quadro, um Modigliani, em 2015, e ainda passou no cartão de crédito. Para essa gente, a tela é cofre e é status ao mesmo tempo.
Os dois lados: cultura e investimento contra especulação e bolha

Para ser honesto, arte na China é cultura milenar e é investimento sério, com casas, colecionadores e volume que poucos países têm. Esse lado é real. Mas o mesmo mercado tem especulação, preço inflado e risco de bolha, e a arte é descrita como ativo de alto retorno e alto risco. Não à toa, o mercado chinês caiu cerca de 31% de 2023 para 2024, o menor patamar desde 2009. Achar que arte cara é coisa só do Ocidente virou ilusão. Mas achar que arte é dinheiro garantido também é. A verdade está no meio, e quem entende antes de comprar é quem se protege.
Resumo em pontos
- Em 2023, a China (continente + Hong Kong) foi o 2º maior mercado de arte do mundo, com 19% das vendas globais, à frente do Reino Unido; caiu para 3º com 15% em 2024 e ~14% em 2025 (Art Basel & UBS Global Art Market Report).
- Hong Kong sozinha respondeu por cerca de 14,5% das vendas de leilão de arte do mundo em 2025, o 3º maior centro do planeta, atrás de Nova York e Londres (Ocula).
- Sotheby's, Christie's e Phillips mantêm sua sede asiática em Hong Kong há décadas; as maiores leiloeiras da própria China são Poly Auction e China Guardian, e cinco das dez maiores do mundo já são chinesas (The Art Newspaper / Conseil des Ventes).
- Os compradores da China continental foram os maiores gastadores em arte e antiguidades em 2023, com gasto mediano de cerca de US$ 97 mil, mais que o dobro de qualquer outra região (Art Basel & UBS).
- Arte/antiguidade funciona como reserva de valor e ativo de baixa correlação com a bolsa; o bilionário chinês Liu Yiqian pagou ~US$ 170 milhões por um Modigliani em 2015, mas o mercado é cíclico e caiu ~31% de 2023 para 2024.
Fontes
Art Basel & UBS Global Art Market Report, by Arts Economics (China, somando continente e Hong Kong, foi o 2º maior mercado de arte do mundo em 2023 com 19% das vendas globais, à frente do Reino Unido; caiu para 3º lugar com 15% em 2024, com queda de ~31% para US$ 8,4 bilhões, o menor nível desde 2009; ~14% em 2025; compradores da China continental foram os maiores gastadores em arte e antiguidades em 2023, com gasto mediano de ~US$ 97 mil); Ocula e Art Basel & UBS (Hong Kong com ~14,5% das vendas globais de leilão em 2025, 3º maior centro atrás de Nova York e Londres, e sede asiática de Sotheby's, Christie's e Phillips); The Art Newspaper e Conseil des Ventes (Beijing Poly/Poly Auction e China Guardian como maiores leiloeiras da China; metade das 20 maiores e 5 das 10 maiores leiloeiras do mundo já são chinesas); MyArtBroker e Wikipedia (arte como reserva de valor e ativo de baixa correlação com o mercado financeiro; bilionário Liu Yiqian pagou ~US$ 170 milhões por um Modigliani em 2015).
Quer ir além? Veja o dossiê completo deste tema em destinochina.com/china/china-mercado-arte e conheça a consultoria da Destino China para importar com segurança.