A Xiaomi do seu celular (e do seu aspirador) virou montadora — e, em três anos, fez um carro elétrico que bateu a Porsche numa pista. É um dos cases mais impressionantes de como o ecossistema chinês de carro elétrico permite feitos que levariam décadas em qualquer outro lugar. Aqui está a história, com números e fontes.

Os números

  • 3ª maior — a Xiaomi é a 3ª maior fabricante de smartphones do mundo (168 milhões vendidos em 2024); anunciou o carro em 2021
  • US$ 4 mil — quanto o SU7 de entrada é mais barato que o Tesla Model 3 na China — com mais autonomia (700 km)
  • 50 mil/27 min — pedidos firmes na estreia do SU7; ~135 mil entregues em 2024; superou o Model 3 na China em dez/2024
  • Nürburgring — o SU7 Ultra cravou o recorde de sedã de rua mais rápido da história do circuito (2025), batendo o Porsche Taycan Turbo GT
  • 1.548 cv — a potência do SU7 Ultra; 0 a 100 km/h em ~1,98 segundo
  • 200 mil/3 min — pedidos do SUV YU7 na estreia (2025); a Xiaomi entregou 411 mil carros no ano

De empresa de celular a montadora

De empresa de celular a montadora
Crédito: Loja Xiaomi / Wikimedia Commons

A Xiaomi é a 3ª maior fabricante de smartphones do mundo — vendeu 168 milhões de aparelhos em 2024, crescendo mais rápido que Apple e Samsung. Em 2021, o fundador Lei Jun anunciou a criação de uma divisão de carros elétricos (investimento previsto de US$ 10 bilhões em 10 anos), chamando o projeto de 'o último grande projeto empreendedor da minha vida'. Em março de 2024 nasceu o SU7, um sedã elétrico esportivo cuja versão de entrada saiu cerca de US$ 4 mil mais barata que o Tesla Model 3 na China, com mais autonomia — e Lei Jun admitiu vender cada carro no prejuízo para ganhar mercado.

A explosão de vendas

A explosão de vendas
Crédito: Xiaomi YU7 / Wikimedia Commons

O público respondeu de forma histórica: mais de 50 mil pedidos firmes em apenas 27 minutos na estreia do SU7. A Xiaomi entregou cerca de 135 mil carros em 2024 e, em dezembro daquele ano, o SU7 já vendia mais que o Tesla Model 3 na China. Em 2025 veio o SUV YU7, que recebeu 200 mil pedidos em 3 minutos (mais de 289 mil na primeira hora), com fila de espera passando de um ano; a Xiaomi entregou 411 mil carros no ano.

O recorde que bateu a Porsche

O recorde que bateu a Porsche
Crédito: Xiaomi SU7 Ultra / Wikimedia Commons

O golpe de misericórdia veio na pista. Em abril de 2025, o SU7 Ultra de produção cravou 7:04.957 no Nürburgring — o circuito mais duro do mundo —, tornando-se o carro elétrico de produção mais rápido e o sedã de rua mais rápido da história a rodar lá, superando o recorde do Porsche Taycan Turbo GT. O Ultra tem até 1.548 cavalos e faz 0 a 100 km/h em cerca de 1,98 segundo; o protótipo chegou a marcar a 3ª volta mais rápida de todos os tempos no circuito. Uma empresa de celular, batendo a Porsche.

Como fez isso em 3 anos

Como fez isso em 3 anos
Crédito: Xiaomi SU7 Ultra (protótipo) / Wikimedia Commons

A resposta é o ecossistema chinês. A Xiaomi não precisou construir tudo do zero: apoiou-se na cadeia de carro elétrico mais completa do mundo — baterias LFP Blade da BYD e Qilin da CATL (a Xiaomi virou uma das maiores clientes automotivas da CATL), motores e fornecedores maduros, com fábrica própria em Pequim. A isso somou o que já dominava: software, tela, atualização pela internet e integração com o celular. Os elétricos chineses são chamados de 'smartphones sobre rodas', e a Xiaomi não é a única tech a entrar no setor — Huawei e Baidu também fizeram a travessia.

Por que isso importa (e a nota de honestidade)

Por que isso importa (e a nota de honestidade)
Crédito: Linha de produção de automóveis / Wikimedia Commons

O case da Xiaomi é a prova do poder do ecossistema chinês: uma empresa que fazia celular virou montadora de nível mundial em três anos, só porque estava na China, perto da cadeia certa. É o mesmo salto que o país inteiro está dando — de montadora dos outros a dona da tecnologia. Para quem faz negócio, a lição é clara: entender essa cadeia é enxergar o próximo produto e a próxima oportunidade. E, para não vender ilusão: o SU7 teve um acidente fatal amplamente noticiado em 2025 e um recall de software de assistência à condução no mesmo ano — um caso sob investigação, que não define sozinho o produto, mas que merece registro honesto ao lado dos recordes e das vendas.

Resumo em pontos

  • Xiaomi (3ª maior de celular do mundo) anunciou carro em 2021; lançou o SU7 em mar/2024, ~US$ 4 mil mais barato que o Model 3 na China (SCMP, CnEVPost, CNBC).
  • Estreia: +50 mil pedidos em 27 min; ~135 mil entregues em 2024; superou o Model 3 na China em dez/2024 (Carnewschina, CnEVPost).
  • SU7 Ultra: recorde de sedã de rua mais rápido no Nürburgring (2025), batendo o Porsche Taycan; até 1.548 cv, 0-100 em ~1,98 s (CnEVPost, InsideEVs).
  • YU7 (SUV): 200 mil pedidos em 3 min (2025); 411 mil carros entregues no ano; baterias BYD/CATL, fábrica em Pequim (Electrek, CnEVPost).
  • Nota honesta: acidente fatal do SU7 e recall de software de assistência em 2025 — caso sob investigação, tratado de forma medida (Carnewschina, TechNode, ArenaEV).

Fontes

SCMP e Wikipedia (Xiaomi SU7): entrada da Xiaomi nos carros e perfil. CnEVPost e CNBC: lançamento e preço do SU7 vs Model 3. Carnewschina e CnEVPost: pedidos e entregas (50 mil em 27 min, 135 mil em 2024, superou o Model 3). CnEVPost, InsideEVs e The Driven: recorde do SU7 Ultra no Nürburgring e specs (1.548 cv, 1,98 s). Electrek, The Driven e Gasgoo: YU7 (200 mil pedidos em 3 min) e 411 mil entregas em 2025. CnEVPost: baterias BYD/CATL e fábrica em Pequim. Carnewschina, TechNode e ArenaEV: acidente fatal e recall de software em 2025 (nota de honestidade).

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