A economia de baixa altitude: o próximo mercado trilionário da China (táxis voadores e drones)

Enquanto o mundo discute carro elétrico, a China já fala em táxi voador. A 'economia de baixa altitude' virou prioridade nacional e está criando um mercado trilionário que quase ninguém no Brasil conhece. Aqui está o que é, o que já saiu do papel e a oportunidade que isso abre, com fontes.
Os números
- US$ 490 bi — o tamanho projetado da economia de baixa altitude da China até 2035 (3,5 trilhões de yuans); 1,5 trilhão já até 2025 (CAAC)
- 1ª do mundo — a EHang foi a primeira a certificar um eVTOL autônomo de passageiros (EH216-S, CAAC, 2023) e a operar comercialmente (2025)
- 2 passageiros — a capacidade do EH216-S, autônomo (sem piloto); voos turísticos de ~10 min em Guangzhou por ~¥299 (uns R$ 230)
- 7.000+ — pré-encomendas do carro voador da Xpeng (entrega prevista por menos de US$ 280 mil)
- 600 mil+ — entregas por drone da Meituan só em Shenzhen; 1ª entrega noturna por drone da China (2025)
- ~80% — a fatia dos drones agrícolas chineses (DJI Agras, XAG) no mercado de pulverização; ~400 mil unidades DJI no mundo
O que é a 'economia de baixa altitude'

É toda a economia que acontece no céu abaixo de mil metros: drones, táxis voadores (eVTOLs), drones de passageiros, inspeção industrial, entregas aéreas e agricultura. A China elevou o setor a prioridade nacional — ele entrou pela primeira vez no Relatório de Trabalho do Governo em 2024 e virou 'cluster industrial estratégico' no 15º Plano Quinquenal —, e a CAAC (autoridade de aviação civil) projeta um mercado de 1,5 trilhão de yuans até 2025 e 3,5 trilhões (cerca de US$ 490 bilhões) até 2035. Em 2025, já havia 3,28 milhões de drones registrados no país.
Você pisaria dentro de um drone?

Não é conceito de feira. A chinesa EHang foi a primeira empresa do mundo a obter o certificado de tipo para um eVTOL autônomo de passageiros — o EH216-S —, emitido pela CAAC em outubro de 2023, seguido do certificado de produção (2024) e do início da operação comercial em 2025, em Guangzhou e Hefei. O EH216-S leva 2 passageiros, é totalmente autônomo (16 hélices, sem piloto) e já faz voos turísticos de cerca de 10 minutos em Guangzhou por aproximadamente ¥299 (uns R$ 230). É só entrar e voar.
Carro voador, entregas e agricultura

Há até carro voador: a Xpeng (AeroHT) começou a produzir em linha um módulo terrestre com um eVTOL de 2 lugares destacável, com mais de 7.000 pré-encomendas e entregas previstas por menos de US$ 280 mil. Mas a economia de baixa altitude vai muito além do transporte de gente: as entregas por drone já são rotina (a Meituan passou de 600 mil entregas só em Shenzhen e fez a primeira entrega noturna por drone da China), e no campo os drones agrícolas chineses (DJI Agras e XAG) dominam cerca de 80% do mercado de pulverização, com quase 400 mil unidades DJI no mundo. O trator do futuro voa.
Quem fabrica tudo isso é a China

O ponto-chave para quem faz negócio: os drones, os táxis voadores e os componentes saem quase todos da China — DJI, XAG, EHang. É uma indústria inteira nascendo com a cadeia de suprimentos já montada no país, e a DJI, de Shenzhen, sozinha tem cerca de 70% do mercado mundial de drones. Da filmagem de casamento à inspeção de uma torre de energia, quase todo drone do planeta é chinês. Shenzhen virou a 'capital dos drones', construindo vertiports (os 'aeroportos' de táxi voador) e corredores aéreos de baixa altitude — enquanto o mundo planeja, a China já ergue a infraestrutura do céu.
A oportunidade para quem faz negócio

É um mercado trilionário nascendo, com produto e cadeia concentrados na China: drone agrícola, de inspeção, de mapeamento, de entrega — tudo importável. Quem entra cedo em uma indústria nova sai na frente, e essa está apenas começando. Para o importador e o empreendedor brasileiro, entender a economia de baixa altitude agora é o mesmo que ter entendido o e-commerce ou o carro elétrico antes da onda — a diferença é que, desta vez, a fábrica, a tecnologia e a certificação já estão prontas na China.
Resumo em pontos
- Economia de baixa altitude (voos <1.000 m): prioridade nacional; CAAC projeta 1,5 tri de yuans até 2025 e 3,5 tri (~US$ 490 bi) até 2035 (China Daily, CGTN).
- EHang: 1ª do mundo a certificar eVTOL autônomo de passageiros (EH216-S, CAAC 2023); operação comercial em 2025; 2 pax, sem piloto, ~¥299 o voo (EHang IR, New Atlas).
- Carro voador Xpeng (AeroHT): 1ª produção em linha (2025), +7.000 pré-encomendas, <US$ 280 mil (CnEVPost, Electrek).
- Entregas: Meituan +600 mil em Shenzhen, 1ª entrega noturna (2025); agricultura: DJI Agras + XAG ~80% da pulverização, ~400 mil DJI no mundo (TechNode, AgFunder).
- Shenzhen 'capital dos drones' (vertiports, corredores aéreos); DJI ~70% dos drones do mundo — cadeia e produto concentrados na China (Shenzhen Gov, The Drone Girl).
Fontes
China Daily HK e Belt and Road Portal (Xinhua): economia de baixa altitude como prioridade nacional. CGTN e China Economic Net: projeções de mercado (1,5 tri até 2025, 3,5 tri até 2035) e drones registrados. EHang IR, EHang e New Atlas: certificação e operação do EH216-S (1º do mundo). Flight Plan/Forecast Intl: preço do EH216-S. CnEVPost e Electrek: carro voador Xpeng (AeroHT). TechNode e GDToday: entregas por drone (Meituan, SF/Phoenix Wings). MarketsandMarkets e AgFunderNews: drones agrícolas (DJI Agras, XAG). EHang e Shenzhen Gov: vertiports e Shenzhen como polo. The Drone Girl: DJI com ~70% do mercado de drones.
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