No Ocidente, carro elétrico ainda é sinônimo de coisa cara. Na China, a história é outra. Em 2020 a Wuling lançou a Hongguang Mini EV custando a partir de cerca de RMB 28.800, algo perto de US$ 4.200 na época. Um carro elétrico zero por esse valor. E não ficou na vitrine: virou o elétrico mais vendido da China e do mundo, com mais de 1,1 milhão de unidades vendidas até fevereiro de 2023. Por trás do preço estão dois motores: escala de produção e uma política pública forte de incentivo. Vale entender os dois lados, com os números e as fontes.

Os números

  • ~US$ 4.200 — preço inicial da Wuling Mini EV no lançamento, em 2020 (a partir de RMB 28.800)
  • 1,1 milhão — de unidades vendidas até fevereiro de 2023; foi o EV mais vendido do mundo em 2021
  • RMB 30 mil — de imposto que cada carro de passeio elétrico pode abater na China em 2024-2025 (isenção total)
  • ~60% — das vendas globais de carros elétricos aconteceram na China em 2025

O carro elétrico mais barato do mundo

O carro elétrico mais barato do mundo
Crédito: Acervo

A Wuling Hongguang Mini EV estreou em julho de 2020, no Salão de Chengdu, com preço a partir de cerca de RMB 28.800 (perto de US$ 4.200 na conversão da época) e versões mais completas chegando a aproximadamente RMB 38.800. Era o carro elétrico mais barato da China. E não foi vitrine: em 2021 virou o elétrico mais vendido da China e do mundo, e as vendas globais acumuladas passaram de 1,1 milhão de unidades até fevereiro de 2023.

Quem está por trás e por que cabe no preço

Quem está por trás e por que cabe no preço
Crédito: Acervo

A Wuling é uma joint venture chamada SAIC-GM-Wuling, que reúne a estatal chinesa SAIC (50,1%), a americana General Motors (44%) e a Wuling (5,9%). Parte do preço baixo vem da escala: a China produz e vende elétrico em um volume que o resto do mundo não alcança, e quanto mais se fabrica, mais barata fica cada peça. Não é só margem apertada de uma fábrica; é a engrenagem inteira girando em volume gigante.

O incentivo do governo que derruba o preço final

O incentivo do governo que derruba o preço final
Crédito: Acervo

O segundo motor é público: o incentivo do governo chinês. Carros de nova energia (NEV) na China têm isenção do imposto de compra, o que reduz o que o consumidor paga no fim. A política foi prorrogada até o fim de 2027. Em 2024 e 2025, a isenção é total, e cada carro de passeio pode abater até RMB 30 mil de imposto. É um abatimento grande o suficiente para mudar a conta de quem compra.

A China é o maior mercado de elétrico do mundo

A China é o maior mercado de elétrico do mundo
Crédito: Acervo

Some escala barata com imposto zerado e o resultado aparece no mapa do mundo. A China virou o maior mercado de carros elétricos do planeta: respondeu por cerca de dois terços das vendas globais em 2024, com mais de 11 milhões vendidos no país. Em 2025, foram mais de 13 milhões de elétricos vendidos só na China, cerca de 6 em cada 10 carros elétricos vendidos no mundo inteiro. Lá, elétrico deixou de ser nicho de rico e virou carro comum.

O efeito na rua

O efeito na rua
Crédito: Acervo

O impacto se sente na cidade. Um carro elétrico pequeno é quase silencioso e não solta fumaça no trânsito. Uma metrópole com milhões desses rodando respira diferente de uma cidade movida só a motor a combustão. Para quem mora ou pretende visitar uma cidade chinesa, é uma das mudanças mais visíveis do dia a dia: menos barulho e menos poluição local nas vias mais movimentadas.

Os dois lados: o que o preço baixo cobra

Os dois lados: o que o preço baixo cobra
Crédito: Acervo

Não é mágica, e mostrar só o lado bom seria desonesto. Um carro de cerca de US$ 4 mil é simples: as versões base da Mini EV rodam de 120 a 170 km de autonomia (padrão NEDC, otimista), as primeiras versões nem airbag de motorista tinham e os itens de segurança eram básicos. E o incentivo que ajuda a derrubar o preço já está sendo reduzido: a partir de 2026, o imposto deixa de ser isento e cai apenas pela metade (até RMB 15 mil por carro). Acesso e cidade mais limpa de um lado; autonomia curta, segurança básica e benefício diminuindo do outro.

Resumo em pontos

  • A Wuling Hongguang Mini EV foi lançada em julho de 2020 a partir de cerca de RMB 28.800 (perto de US$ 4.200 na época), o carro elétrico mais barato da China.
  • Em 2021 virou o elétrico mais vendido da China e do mundo; as vendas globais passaram de 1,1 milhão de unidades até fevereiro de 2023. A Wuling é a joint venture SAIC-GM-Wuling (SAIC 50,1%, GM 44%, Wuling 5,9%).
  • O preço baixo vem de escala de produção mais o incentivo público: isenção do imposto de compra de veículos de nova energia, prorrogada até o fim de 2027.
  • A isenção é total em 2024 e 2025 (até RMB 30 mil por carro de passeio) e passa a ser reduzida pela metade em 2026 e 2027 (até RMB 15 mil por carro).
  • A China é o maior mercado de EV do mundo: cerca de dois terços das vendas globais em 2024 e perto de 60% em 2025 (mais de 13 milhões vendidos no país). O outro lado: autonomia curta (120 a 170 km nas versões base, NEDC), segurança básica nas primeiras versões e incentivo sendo reduzido.

Fontes

Wikipedia, Wuling Hongguang Mini EV (preço de lançamento 2020, joint venture SAIC-GM-Wuling, vendas anuais e acumuladas, autonomia e segurança).

Governo da China (english.www.gov.cn) e China Briefing (isenção/redução do imposto de compra de NEV prorrogada até 2027: isenção total 2024-2025 até RMB 30 mil; metade em 2026-2027 até RMB 15 mil); IEA, Global EV Outlook (China como maior mercado de EV do mundo, participação nas vendas globais 2024-2025).

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