Na China, a entrega autônoma deixou de ser promessa e virou rotina. Robôs com inteligência artificial e sensores rodam na rua, no campus universitário e na frente do condomínio, levando comida e encomenda sem nenhum humano no caminho. Meituan, JD.com, Alibaba e Neolix já somam milhões de entregas. A tecnologia funciona e é barata. O que ainda segura a expansão global é a regulação e a segurança, e por trás disso há uma pergunta incômoda sobre o emprego de milhões de entregadores. São fatos públicos, com números e fontes. Vale olhar com calma.

Os números

  • ~5 milhões — pedidos feitos pelos robôs de rua da Meituan até o fim de 2024
  • +10 milhões — pacotes entregues pelos robôs Xiaomanlv da Alibaba (até março de 2022)
  • +6.000 — veículos autônomos de entrega em mais de 100 zonas urbanas até o fim de 2024
  • 2021 — ano da primeira licença oficial chinesa para robô de entrega em via pública (Neolix)

Meituan: o carrinho autônomo que já fez quase 5 milhões de entregas

Meituan: o carrinho autônomo que já fez quase 5 milhões de entregas
Crédito: Acervo

A Meituan, maior app de delivery da China, opera veículos autônomos de entrega que andam na rua de verdade, com placa e parando no farol. Até o fim de 2024, esses robôs de rua já tinham completado quase 5 milhões de pedidos, segundo reportagens de mercado, o que coloca a operação entre as maiores de entrega autônoma do mundo. Não é protótipo de feira: é entrega comercial, na cidade, todos os dias.

Drones que entregam comida pelo céu

Drones que entregam comida pelo céu
Crédito: Acervo

Além do chão, a Meituan voa. Até o fim de 2024, a operação de drones da empresa tinha 53 rotas abertas em cidades grandes como Shenzhen, Pequim, Xangai, Cantão e Nanjing, somando mais de 450 mil pedidos acumulados, com mais de 200 mil só em 2024. A comida sai do restaurante e chega em poucos minutos por um drone autônomo, encurtando a última milha que antes dependia de uma pessoa numa moto.

JD.com e a virada da pandemia de 2020

A entrega autônoma virou questão de vida na pandemia. Em fevereiro de 2020, a JD.com colocou robôs para entregar em Wuhan, sem ninguém no caminho, reduzindo o contato em plena crise sanitária. Em 107 dias, um desses robôs rodou mais de 6.800 km e entregou mais de 13 mil pacotes. Cada robô carrega até 30 encomendas num raio de cerca de 5 km, planeja rota, desvia de obstáculo e reconhece o semáforo. O robô apelidado de Big White entrou para o acervo do Museu Nacional da China.

Xiaomanlv: o burrinho que entrega na faculdade

Xiaomanlv: o burrinho que entrega na faculdade
Crédito: Acervo

A Alibaba, pela Cainiao, criou o Xiaomanlv, o burrinho, um robô que entrega dentro do campus universitário. Desde setembro de 2020 ele roda em mais de 300 universidades na China e já tinha passado de 10 milhões de pacotes entregues até março de 2022. Cada robô leva cerca de 50 caixas por vez, até 500 por dia, e roda 100 km com uma carga. É a última milha resolvida exatamente onde a demanda é mais densa.

IA, sensores e a licença que abriu a rua

IA, sensores e a licença que abriu a rua
Crédito: Acervo

O cérebro desses robôs é o mesmo do carro autônomo, só que menor e mais barato: inteligência artificial, câmeras e sensores que mapeiam a rua, leem o farol, desviam de pessoas e refazem a rota sozinhos. A Neolix tirou a primeira licença oficial da China para rodar robô de entrega em via pública, em 2021, e hoje já opera no Japão, Emirados, Arábia Saudita e Alemanha. Até o fim de 2024, mais de 6.000 veículos autônomos de entrega rodavam em mais de 100 zonas urbanas chinesas.

Os dois lados: avanço real e o medo do desemprego

Os dois lados: avanço real e o medo do desemprego
Crédito: Acervo

Para ser honesto, o ganho é claro: entrega mais barata, mais rápida e sem ninguém pedalando na chuva ou correndo risco no trânsito. A China acelerou liberando, em 2023, diretrizes para testar veículos autônomos na via pública, enquanto o resto do mundo ainda trava na lei e na segurança de um robô andando sozinho na calçada. Mas há o outro lado: milhões de pessoas vivem de entregar, e um robô não cansa, não adoece e não cobra hora extra. Não é só sobre tecnologia, é sobre quem fica com o emprego quando a máquina chega antes da pergunta. A verdade está nesse meio, e é mais interessante que o otimismo cego ou o pânico.

Resumo em pontos

  • Os robôs de rua da Meituan já tinham completado quase 5 milhões de pedidos até o fim de 2024; os drones somavam 53 rotas e mais de 450 mil entregas, com mais de 200 mil só em 2024 (The Wire China/Tech Buzz China; China Aviation Daily/Futunn).
  • Na pandemia de 2020, a JD.com entregou em Wuhan com robôs autônomos: um robô rodou mais de 6.800 km e entregou mais de 13 mil pacotes em 107 dias; o robô Big White virou peça do Museu Nacional da China (JD Corporate Blog/TechNode).
  • Os robôs Xiaomanlv da Alibaba/Cainiao rodam desde 2020 em mais de 300 universidades e já passaram de 10 milhões de pacotes entregues até março de 2022 (Alizila/Yicai).
  • A Neolix tirou a primeira licença chinesa para robô de entrega em via pública em 2021 e hoje opera no Japão, Emirados, Arábia Saudita e Alemanha (Caixin/The Robot Report).
  • Até o fim de 2024, mais de 6.000 veículos autônomos de entrega rodavam em mais de 100 zonas urbanas da China; a regulação e a segurança, e não a tecnologia, são a principal barreira para a expansão global (People's Daily; diretrizes do MIIT de 2023).

Fontes

The Wire China e Tech Buzz China (Meituan ~5 milhões de pedidos por veículos autônomos de rua até o fim de 2024); China Aviation Daily e Futunn (drones Meituan: 53 rotas, +450 mil pedidos acumulados, +200 mil em 2024); JD Corporate Blog e TechNode (JD.com em Wuhan, 2020: 107 dias, +6.800 km, +13 mil pacotes, robô Big White no Museu Nacional da China); Alizila e Yicai (Alibaba/Cainiao Xiaomanlv desde 2020, +300 universidades, +10 milhões de pacotes até março de 2022); Caixin e The Robot Report (Neolix, primeira licença chinesa de via pública em 2021, operação no Japão, Emirados, Arábia Saudita e Alemanha); People's Daily (mais de 6.000 veículos autônomos de entrega em +100 zonas urbanas até o fim de 2024; diretrizes do MIIT de 2023 para pilotos L3/L4).

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