Quando se fala em 'produto chinês', muita gente ainda pensa na quinquilharia do camelô. Mas a China já está na sua rotina em coisas bem maiores — o trem que você pega, o ônibus da sua rua, o carro do aplicativo, o guindaste que descarrega o navio no porto. Ela deixou de ser 'fábrica barata' e virou fornecedora de infraestrutura do Brasil. Aqui está onde ela já está, com fontes.

Os números

  • 2012 — desde quando o metrô do Rio (Linhas 1, 2 e 4) roda com trens chineses da CRRC Changchun — cerca de 34 composições
  • 44 trens — novos contratados para o Metrô de SP (R$ 3,1 bilhões, 2025), da CRRC, que abriu fábrica de trens em Araraquara (SP)
  • 260 — ônibus elétricos BYD em operação em São Paulo no fim de 2025 (montados em Campinas desde 2015)
  • 300 mil — carros BYD vendidos no Brasil (2026); fábrica de Camaçari-BA é a maior de veículos elétricos da América Latina (o '217' é o nº de concessionárias, não de carros)
  • 70–80% — a fatia da chinesa ZPMC (Xangai) no mercado MUNDIAL de guindastes de porto — os que operam em Santos
  • desde 2009 — a China é a maior parceira comercial do Brasil; +95% do que importamos dela são manufaturados; ~70 mil das 86 mil antenas do país são Huawei

O trem que você pega pode ser chinês

O trem que você pega pode ser chinês
Crédito: Wilfredor / Wikimedia Commons

O metrô do Rio de Janeiro (Linhas 1, 2 e 4) roda desde 2012 com trens da CRRC Changchun — cerca de 34 composições, 15 delas entregues para a Olimpíada de 2016. Milhões de cariocas andam em trem chinês todo dia sem saber. Em São Paulo, a CPTM já opera trens chineses (Série 2500, da CRRC Qingdao Sifang) na ligação com o Aeroporto de Guarulhos, e a onda mal começou: são 44 trens novos contratados para o Metrô de SP (R$ 3,1 bilhões), mais material rodante para as Linhas 4-Amarela e 5-Lilás — e a CRRC inaugurou uma fábrica de trens em Araraquara (SP) em 2025.

O ônibus elétrico da sua cidade é BYD

O ônibus elétrico da sua cidade é BYD
Crédito: Mariordo / Wikimedia Commons

A BYD monta chassi de ônibus elétrico em Campinas (SP) desde 2015 e já passou do 600º ônibus. São Paulo fechou 2025 com 260 ônibus elétricos BYD em operação e, em junho de 2026, recebeu a maior entrega de elétricos da história do país. A empresa já projeta uma megafábrica de até 7.000 chassis por ano — o transporte público brasileiro está eletrificando com tecnologia chinesa.

300 mil carros — e feitos aqui

300 mil carros — e feitos aqui
Crédito: Ricardo Stuckert / Wikimedia Commons

A BYD atingiu 300 mil carros vendidos no Brasil em 2026, tornando-se a 4ª marca mais vendida do país no semestre (um detalhe importante: o número '217' que às vezes circula é a quantidade de concessionárias, não de carros). E não são só importados: a fábrica de Camaçari (BA), inaugurada em outubro de 2025 na antiga terra da Ford, é apresentada como a maior fábrica de veículos elétricos da América Latina, com capacidade de até 300 mil carros por ano. Nas ruas, o carro chinês já é rotina: em cidades como Salvador, o BYD Dolphin roda como táxi comum.

Olhe para o porto: os guindastes gigantes são chineses

Olhe para o porto: os guindastes gigantes são chineses
Crédito: Wikimedia Commons

Aqueles guindastes enormes que tiram os contêineres dos navios são quase todos da ZPMC (Shanghai Zhenhua) — uma única empresa chinesa que faz de 70% a 80% de TODOS os guindastes de porto do mundo. No Porto de Santos, o maior da América Latina, os terminais da Santos Brasil e da BTP operam com portêineres ZPMC, alguns de 94 metros de altura para atender navios de 366 metros. Na prática, quase todo contêiner que entra ou sai do Brasil passa por um braço mecânico chinês.

A China deixou de ser 'fábrica barata'

A China deixou de ser 'fábrica barata'
Crédito: Wikimedia Commons

O fio condutor é claro: trem, ônibus, carro, guindaste de porto e antena de celular. A China é a maior parceira comercial do Brasil desde 2009 (ultrapassou os EUA), responde por cerca de 31% das nossas exportações e 23% das importações, e mais de 95% do que compramos dela são manufaturados. Até na telecom: segundo a Anatel, cerca de 70 mil das 86 mil antenas de rádio do país usam equipamento Huawei. Ou seja, ela virou fornecedora de infraestrutura e bens de capital — não de bugiganga. Para quem faz negócio, a leitura é estratégica: entender que a China subiu na cadeia de valor muda a forma de negociar e de escolher o que importar. Foto de close da marca ZPMC e dos táxis BYD ilustram bem esse cotidiano.

Resumo em pontos

  • Trens: MetrôRio (Linhas 1,2,4) com CRRC Changchun desde 2012; CPTM SP com Série 2500 (CRRC) no ramal de Guarulhos; 44 trens novos contratados + fábrica CRRC em Araraquara (Railway Gazette, MobilidadeSampa, Agência SP).
  • Ônibus: BYD monta em Campinas desde 2015 (600+ ônibus); SP com 260 elétricos BYD no fim de 2025; recorde de 265 entregues em jun/2026 (Cenário Energia, Diário do Transporte).
  • Carros: 300 mil BYD vendidos (2026); '217' = concessionárias, não carros; fábrica de Camaçari é a maior de EV da América Latina (O Povo, BYD Brasil).
  • Portos: ZPMC (Xangai) faz 70–80% dos guindastes do mundo; operam no Porto de Santos (Santos Brasil/Tecon e BTP) (Wikipedia ZPMC, Portos e Navios, MARAD).
  • Comércio/telecom: China é a maior parceira do Brasil desde 2009 (+95% manufaturados); ~70 mil das 86 mil antenas são Huawei (Brasil de Fato, Anatel/Tecnoblog).

Fontes

Railway Gazette e Wikipedia (CRRC Changchun): trens do MetrôRio. Metrô CPTM e Wikipedia (CRRC Qingdao Sifang): Série 2500 na Linha 13-Jade. MobilidadeSampa, Agência SP e Revista Ferroviária: 44 trens novos, Linhas 4/5 e fábrica de Araraquara. Cenário Energia, Diário do Transporte e Ônibus e Transporte: ônibus elétricos BYD (260 em SP, 600º chassi, recorde jun/2026). O Povo, Canal VE e BYD Brasil: 300 mil carros e fábrica de Camaçari. Wikipedia (ZPMC), Portos e Navios e estudo MARAD: guindastes ZPMC (70–80% do mundo) em Santos. Brasil de Fato e Ibrachina: China como maior parceira desde 2009. Tecnoblog/Anatel: Huawei em ~70 mil das 86 mil antenas. Observação: Salvador ficou com a Alstom (a chinesa foi desclassificada) e o monotrilho da Linha 15-Prata é de tecnologia europeia (Bombardier/Alstom), embora os novos trens sejam fabricados na China pela JV Alstom-CRRC.

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