JD.com: a chinesa que transformou loja em showroom e entrega com robôs e drones

Quando se fala em gigante de e-commerce, todo mundo lembra da Amazon ou da Alibaba. Mas tem uma empresa chinesa que talvez seja o exemplo mais avançado de varejo do futuro: a JD.com, também chamada Jingdong. Ela não é só uma loja online enorme. Controla estoque próprio e logística própria, opera armazéns quase sem gente com mil robôs, testa drones de entrega e levou a tecnologia das telas para dentro da loja física, transformando ponto de venda em showroom. São fatos públicos, com números e fontes, e mostram bem para onde o varejo está caminhando.
Os números
- US$ 158,8 bi — receita da JD.com em 2024, a maior varejista da China por receita
- 700 milhões — clientes ativos anuais, marca ultrapassada em outubro de 2025
- ~90% — da receita vem do estoque próprio (modelo 1P), não de comissão
- +200 mil — pedidos por dia no armazém Ásia No.1, operado por cerca de 1.000 robôs
A maior varejista da China por receita

A JD.com, ou Jingdong, é a maior varejista da China em receita, com mais de US$ 158,8 bilhões faturados em 2024. É uma das duas maiores forças do e-commerce chinês e rival direta da Alibaba. Em outubro de 2025, anunciado nos resultados do terceiro trimestre, a empresa ultrapassou a marca de 700 milhões de clientes ativos anuais. Para dar dimensão, é uma base de usuários muitas vezes maior que a população do Brasil, sustentada por uma operação que vai muito além de um site de vendas.
Modelo 1P: estoque e logística próprios

A diferença mais importante da JD está no modelo de negócio. A Alibaba funciona como um marketplace, um shopping que conecta vendedor e comprador e ganha com comissão e anúncio, sem segurar estoque. A JD faz o contrário: compra os produtos, estoca em seus armazéns e entrega com a própria estrutura de logística. Cerca de 90% da receita vem desse negócio direto, o chamado modelo 1P. Por controlar a corrente inteira, do galpão até a porta do cliente, a logística não é um detalhe, é o coração da empresa, e o que explica o investimento pesado em automação.
Ásia No.1: o armazém sem gente

O símbolo dessa aposta é o armazém Ásia No.1, em Xangai, inaugurado em janeiro de 2018. Ele é apontado como o primeiro armazém totalmente sem gente a operar em larga escala no mundo, cobrindo recebimento, armazenagem, separação e empacotamento. Dentro dele trabalham cerca de mil robôs, incluindo braços mecânicos e veículos autônomos, que recebem, guardam, separam e empacotam os pedidos. A capacidade passa de 200 mil pedidos por dia, com pouquíssima intervenção humana no chão de operação.
Drones e a entrega que sai pelo céu

A automação não para no armazém. A JD testa drones de entrega há anos, incluindo modelos de carga pesada capazes de transportar até uma tonelada entre pontos logísticos, além de experimentos de entrega urbana por drone. A ideia é encurtar o último trecho da entrega, justamente o mais caro e o mais sujeito a trânsito e distância. É uma tentativa concreta de levar o pacote da prateleira ao cliente com menos caminhão e menos tempo, algo que ainda soa futurista em boa parte do mundo.
Da tela para a loja: o showroom JD Home e o 7Fresh

A JD também levou a tecnologia para o mundo físico. Criou lojas de eletrônicos sob a marca JD Home, o 京东之家, onde o cliente pega o produto, testa e sente na mão antes de comprar, transformando o ponto de venda em um showroom. E lançou em 2018 o supermercado 7Fresh, com carrinhos inteligentes que guiam o cliente pelos corredores, etiquetas com sensor, pagamento por reconhecimento facial e entrega em casa em até 30 minutos para quem está no bairro. É o online e o offline colados na mesma experiência.
Os dois lados: eficiência x emprego

Para ser honesto, há dois lados nessa história. De um lado, a automação entrega uma eficiência impressionante: mais rápido, mais barato, com menos erro. De outro, um armazém sem gente significa menos postos de trabalho para gente, e robô não recebe salário. A JD mostra um futuro de varejo muito eficiente, mas também coloca na mesa a pergunta que o setor inteiro vai ter que responder nos próximos anos: até onde a máquina substitui o trabalho humano, e o que se faz com quem fica de fora. Não é um vilão nem um herói, é um espelho do que vem por aí.
Resumo em pontos
- A JD.com (Jingdong) é a maior varejista da China por receita, com mais de US$ 158,8 bilhões em 2024 (SEC/Statista).
- Os clientes ativos anuais ultrapassaram 700 milhões em outubro de 2025, anunciado nos resultados do 3º trimestre (JD IR / Inside Retail Asia).
- Modelo 1P: cerca de 90% da receita vem do estoque próprio, diferente da Alibaba, que é marketplace e vive de comissão (CKGSB / Motley Fool).
- O armazém Ásia No.1, em Xangai (2018), foi o primeiro totalmente sem gente a operar em larga escala, com cerca de 1.000 robôs e mais de 200 mil pedidos por dia (Wikipedia / HWArobotics).
- A JD testa drones de carga (até 1 tonelada) e transforma lojas físicas em showrooms com o JD Home (京东之家) e o supermercado 7Fresh, com carrinho inteligente, reconhecimento facial e entrega em 30 minutos (FreightWaves / JD Blog / SCMP).
Fontes
SEC e Statista (receita da JD.com de mais de US$ 158,8 bilhões em 2024, maior varejista da China por receita); JD Investor Relations e Inside Retail Asia (mais de 700 milhões de clientes ativos anuais em outubro de 2025); CKGSB e The Motley Fool (modelo 1P, cerca de 90% da receita do negócio próprio, contraste com o marketplace da Alibaba); Wikipedia e HWArobotics (armazém Ásia No.1 em Xangai, 2018, primeiro sem gente em larga escala, cerca de 1.000 robôs, mais de 200 mil pedidos por dia); FreightWaves e DC Velocity (drones de entrega, incluindo carga de até 1 tonelada); JD Corporate Blog, SCMP e Produce Report (JD Home / 京东之家 e supermercado 7Fresh, 2018, carrinho inteligente, reconhecimento facial, entrega em 30 minutos).
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