Florasis: a beleza chinesa que desafiou as gigantes do Ocidente

Quando se fala em maquiagem de prestígio, todo mundo pensa em França, Estados Unidos ou Coreia. Mas uma marca chinesa fez o caminho contrário e virou fenômeno apostando na própria cultura. A Florasis, ou Hua Xizi, nasceu em Hangzhou em 2017 e transformou estética tradicional chinesa em produto de desejo, com paletas esculpidas e embalagens que parecem peças de museu. Com a força do livestream e do influenciador Li Jiaqi, faturou bilhões e bateu de frente com gigantes ocidentais. Depois, uma polêmica de preço mostrou o outro lado da história. São fatos públicos, com números e fontes. Vale olhar os dois lados.
Os números
- 2017 — ano de fundação da Florasis (Hua Xizi), em Hangzhou, na beira do Lago Oeste
- ~5,4 bi RMB — faturamento estimado em 2021 (cerca de US$ 774 milhões), líder do Tmall em cosméticos
- 79 yuans — preço do lápis de sobrancelha (0,05 g) que disparou a polêmica de 2023
- +1,5 milhão — de seguidores perdidos por Li Jiaqi após a fala sobre o preço, em setembro de 2023
Uma marca nascida do orgulho cultural chinês

A Florasis, em chinês Hua Xizi, nasceu em 2017 em Hangzhou, às margens do Lago Oeste. O nome une o caractere de flor a Xi Shi, uma das Quatro Belezas da China antiga. Em vez de copiar o Ocidente, a marca apostou no chamado guochao, o movimento de orgulho cultural chinês que valoriza estética e heranças nacionais. Foi essa escolha que a separou das concorrentes e a transformou em símbolo de uma nova geração da chamada C-beauty.
Maquiagem com cara de obra de arte

O diferencial da Florasis não ficou só no discurso, foi pro produto. As paletas trazem motivos tradicionais como lótus e fênix esculpidos em alto-relevo, os batons vêm com gravações e a embalagem é tratada como peça de design. A marca usou a riqueza visual chinesa para criar objetos de desejo que parecem peças de museu, num segmento em que a embalagem vende tanto quanto a fórmula. Foi um jeito de transformar tradição milenar em produto contemporâneo.
Li Jiaqi e o poder do livestream

A virada de escala veio com o e-commerce ao vivo. Em 2019, Li Jiaqi, conhecido como o Rei do Batom e maior influenciador de vendas da China, virou padrinho da marca e passou a vender o pó solto da Florasis nas transmissões para milhões de pessoas. O livestream e o Douyin viraram o palco do crescimento. A combinação de estética forte e venda ao vivo levou a marca a um patamar que poucas C-beauty alcançaram.
Bilhões em vendas e topo dos rankings

O resultado apareceu rápido. A Florasis liderou o ranking de lojas de cosméticos do Tmall em 2021 e ficou no topo dos rankings de beleza do Douyin. Naquele ano, estimativas de mercado apontaram faturamento de cerca de 5,4 bilhões de yuans, algo em torno de 774 milhões de dólares. Uma marca com menos de cinco anos de vida passou a brigar de igual para igual com gigantes ocidentais que existem há mais de um século.
A polêmica do lápis de 79 yuans

Em setembro de 2023, durante uma transmissão, uma cliente reclamou que um lápis de sobrancelha da Florasis, vendido por 79 yuans, estava caro. Li Jiaqi reagiu mandando os seguidores se perguntarem se haviam trabalhado duro o bastante. A frase viralizou e causou revolta. Ele pediu desculpas no dia seguinte, mas perdeu mais de 1,5 milhão de seguidores. Reportagens apontaram que o lápis pesava 0,05 grama e custava menos de 10 yuans para ser fabricado, com o preço por grama maior que o de marcas como a L'Oréal.
Os dois lados: inovação real e debate de preço

A história da Florasis tem dois lados, e os dois são verdadeiros. De um lado, a marca provou que a China consegue inovar de verdade em beleza, criando produtos originais com orgulho da própria cultura e enfrentando o Ocidente em pé de igualdade. Do outro, a polêmica de 2023 reacendeu o debate sobre uma C-beauty que ficou cara demais, com a dúvida sobre se o valor estava no produto ou no marketing. Achar que é só sucesso ou só armadilha de marketing seria simplificar. A verdade está no meio, e é mais interessante que escolher um lado.
Resumo em pontos
- A Florasis (Hua Xizi) foi fundada em 2017 em Hangzhou, na beira do Lago Oeste; o nome une a flor a Xi Shi, uma das Quatro Belezas da China antiga (florasis.com / Premium Beauty News / Baidu).
- A marca apostou na estética guochao, com paletas de lótus e fênix esculpidos em relevo e embalagens tratadas como peças de design (RADII / Business of Fashion / Dao Insights).
- Em 2019, Li Jiaqi virou padrinho da marca e impulsionou o pó solto nas lives; a Florasis liderou o ranking de cosméticos do Tmall em 2021 (Alizila / Dao Insights / Baidu).
- Estimativas apontam faturamento de cerca de 5,4 bilhões de yuans (US$ 774 milhões) em 2021, colocando uma marca com menos de cinco anos para brigar com gigantes ocidentais (Dao Insights).
- Em setembro de 2023, a fala de Li Jiaqi sobre um lápis de 79 yuans virou crise: ele perdeu mais de 1,5 milhão de seguidores e reportagens apontaram custo de fabricação abaixo de 10 yuans (Newsweek / TechNode / Sixth Tone / The China Project).
Fontes
florasis.com, Premium Beauty News, RADII, Business of Fashion, Dao Insights e Baidu (Florasis/Hua Xizi fundada em 2017 em Hangzhou, nome ligado a Xi Shi, estética guochao com motivos de lótus e fênix, liderança no Tmall e faturamento de ~5,4 bilhões de RMB em 2021); Alizila (parceria com Li Jiaqi e o pó solto nas livestreams).
Newsweek, TechNode, Sixth Tone e The China Project (polêmica de setembro de 2023: lápis de sobrancelha de 79 yuans com 0,05 g, fala de Li Jiaqi sobre trabalhar mais, pedido de desculpas, perda de mais de 1,5 milhão de seguidores e custo de fabricação estimado abaixo de 10 yuans).
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