A China domina a energia solar e fez dela a mais barata da história. Aqui estão os números do domínio chinês e o que isso significa para o Brasil, com as fontes.

Os números

  • 86% a 96% — a fatia da China na cadeia solar do mundo em 2024 (86% dos módulos, 92% das células, 96% dos wafers, 93% do polisilício)
  • 277 GW — a energia solar nova instalada pela China só em 2024 (+45%) — cerca de 56% de tudo que o planeta instalou no ano
  • ~90% — a queda no preço dos painéis na última década, graças à escala chinesa
  • a mais barata — a solar virou a eletricidade mais barata da história, segundo a Agência Internacional de Energia
  • ~99% — a fatia dos painéis importados pelo Brasil que vêm da China (mais de US$2,6 bilhões só em 2024)
  • os três novos — solar, baterias e carros elétricos — a China lidera os três ao mesmo tempo

A China faz quase todos os painéis do mundo

A China faz quase todos os painéis do mundo
Crédito: Painel fotovoltaico (detalhe) / Wikimedia Commons

Em 2024, a China produziu 93% do polisilício, 96% dos wafers, 92% das células e 86% dos módulos solares do planeta. Toda etapa da cadeia, acima de 80%. Não é liderança: é domínio quase total de uma indústria inteira.

E instala mais sol que o mundo inteiro junto

E instala mais sol que o mundo inteiro junto
Crédito: Usina solar na China (Datong) / Wikimedia Commons

Só em 2024, a China instalou 277 gigawatts de energia solar nova — um aumento de 45% em um ano, cerca de 56% de tudo que o planeta instalou. A China sozinha coloca mais painéis que todos os outros países somados. E, com essa escala, o preço dos painéis caiu cerca de 90% na década, fazendo a solar virar a eletricidade mais barata da história (segundo a IEA).

Mega usinas no deserto

Mega usinas no deserto
Crédito: Fazenda solar na China (vista de satélite) / Wikimedia Commons

Empresas chinesas como LONGi, Jinko e Trina lideram o mundo. E a China constrói mega-bases de energia no deserto de Gobi — projetos de centenas de gigawatts, fazendas solares que se enxergam do espaço, no meio do nada, alimentando o país.

Solar é só uma perna do tripé

Solar é só uma perna do tripé
Crédito: Usina solar de Longyangxia, China (vista da ISS) / Wikimedia Commons

A China chama de 'os três novos': energia solar, baterias e carros elétricos. E ela lidera os três ao mesmo tempo. É a transição energética inteira concentrada em um país só — que fabrica o painel, a bateria que guarda a energia e o carro que a consome.

E o Brasil? Depende quase 100% da China

E o Brasil? Depende quase 100% da China
Crédito: Painéis solares em telhado / Wikimedia Commons

Cerca de 99% dos painéis solares importados pelo Brasil vêm da China — mais de US$2,6 bilhões só em 2024. O Brasil instala sol em ritmo recorde, mas quase não fabrica o equipamento, e chegou a reintroduzir uma tarifa extra de 25% para tentar criar uma indústria local. É o mesmo dilema do mundo: aproveitar o preço imbatível da China ou proteger a indústria de casa? Para o Brasil, que tem sol de sobra, entender e acessar bem essa cadeia é o que separa quem lucra com a transição de quem só paga a conta.

Resumo em pontos

  • China faz de 86% a 96% da cadeia solar do mundo (módulos, células, wafers, polisilício) — Xinjiang sozinha, ~40% do polisilício.
  • Instalou 277 GW de solar em 2024 (+45%), ~56% do total global: mais que o resto do mundo somado.
  • Preço dos painéis caiu ~90% na década; a solar virou a eletricidade mais barata da história (IEA).
  • Gigantes: LONGi, Jinko, Trina. Mega-bases no deserto de Gobi. Lidera 'os três novos' (solar, baterias, EVs).
  • Brasil importa ~99% dos painéis da China (US$2,6 bi em 2024); reintroduziu tarifa de 25% pra tentar industrializar.

Fontes

IEA (Solar PV Global Supply Chains): fatias da cadeia (86-96%) e Xinjiang (~40% do polisilício). pv-magazine / EIA: 277 GW instalados em 2024. Ember: ~56% das adições globais (mais que o resto do mundo). Carbon Brief / IEA: 'eletricidade mais barata da história'. pv-magazine / TaiyangNews: gigantes (Jinko, LONGi, Trina, JA). ClickPetroleoeGas / Dialogue Earth: Brasil importa ~99% dos painéis da China. Global Voices / Blue Carbon: tarifa de 25% do Brasil. Nota: as fatias variam por etapa e ano; todas apontam para domínio acima de 80%.

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