Na China urbana, todo terreno pertence ao Estado. O que você compra é o imóvel construído em cima — mais um direito de uso do solo por 70 anos. E mesmo assim o país tem o maior mercado imobiliário do planeta. Entenda o sistema que quase ninguém explica direito. ## O apartamento é seu de verdade Você vende, aluga, hipoteca e deixa de herança, com escritura e financiamento. Os 70 anos valem para o solo — e contam a partir da compra do terreno pela construtora. A lei de propriedade de 2007 prevê a renovação do uso residencial; os casos que já venceram foram renovados pagando taxa pequena ou nada. ## Por que o Estado fica com o solo Solo público permite replanejar a cidade. Metrô novo, bairro novo, distrito financeiro inteiro — sem décadas de briga judicial por desapropriação. Eu vi Shenzhen sair de cidade média para metrópole de milhões em uma geração: o modelo fundiário é parte da velocidade que impressiona qualquer visitante. ## O chinês acredita em imóvel Mesmo sem ser dono do terreno, imóvel é a poupança nacional: famílias juntam três gerações para dar entrada, e o setor chegou a valer um quarto da economia. Compare com o Brasil: aqui você é "dono para sempre" — pagando IPTU para sempre. Lá, uso renovável sem imposto anual sobre a casa na maioria das cidades. Qual dono é mais dono? ## Isso existe fora da China Londres: metade dos imóveis é leasehold. Singapura: os HDB são de 99 anos. Israel: quase toda a terra é do Estado. A China não inventou o modelo — industrializou o uso dele. ## O que isso significa para quem faz negócio A lógica fundiária explica por que a China entrega obra e fábrica na velocidade que entrega. Quando você importa, essa velocidade vira o seu prazo. Se quiser ver esse ecossistema de perto, o caminho natural é a [Feira de Cantão](/cantao) — e, para operação, nossa [consultoria de importação](/consultoria-importacao).