A China transformou o computador em óculos — os smart glasses com IA e tela na lente são a nova febre e o próximo produto de importação. Aqui está o mapa: Xiaomi, Alibaba Quark, Rokid, os preços, a briga com a Meta e por que é a próxima onda, com as fontes.

Os números

  • ~R$ 1.500 — o preço de partida dos Xiaomi AI Glasses (1.999 yuans): 40g, câmera 12MP, vídeo 2K, IA por voz, pagamento por QR
  • +80% — das empresas da cadeia global de óculos com IA são chinesas (Bank of America) — tela, microfone e bateria concentrados em Guangdong
  • 4 de 5 — das maiores fabricantes de smart glasses do mundo em 2025 eram chinesas (Xiaomi, RayNeo, XREAL, Viture) — Counterpoint
  • ~2,5 mi — óculos inteligentes vendidos na China em 2025 (+87% em um ano); ~23% do mercado global (IDC)
  • US$ 799 x ~US$ 280 — a briga da tela: Meta Ray-Ban Display x modelos chineses só de IA — a China populariza o preço
  • Qwen — a IA da Alibaba nos Quark Glasses: olha um produto, busca seu tamanho no Taobao e paga pelo Alipay por voz

Começou pra valer com a Xiaomi

Começou pra valer com a Xiaomi
Crédito: Óculos com IA em exposição na China (WAIC) / Wikimedia Commons

Em 2025, a Xiaomi lançou os AI Glasses a partir de 1.999 yuans (cerca de R$ 1.500): pesam só 40 gramas, têm câmera de 12MP, gravam vídeo em 2K, rodam num chip Snapdragon AR1, respondem por voz e permitem pagar escaneando um QR code só de olhar. Não é conceito de feira — é produto na prateleira, com bateria de cerca de 8,6 horas.

A China domina a cadeia

A China domina a cadeia
Crédito: Smart glasses chineses em feira de tecnologia / Wikimedia Commons

Um relatório do Bank of America aponta que mais de 80% das empresas da cadeia global de óculos com IA são chinesas. A tela micro-OLED, o microfone e a bateria minúscula estão todos a poucas horas de distância dentro de Guangdong — o mesmo motivo que fez da China a fábrica dos eletrônicos agora a coloca na dianteira dos smart glasses, fazendo mais rápido e mais barato que os rivais.

Os gigantes e a tela na lente

Os gigantes e a tela na lente
Crédito: Óculos com display Halliday (WAIC 2025) / Wikimedia Commons

A Alibaba lançou os Quark Glasses, movidos pela IA Qwen (você olha um produto e ele busca seu tamanho no Taobao e paga pelo Alipay). Baidu, Huawei, Rokid, XREAL e RayNeo viraram uma corrida — em 2025, 4 das 5 maiores fabricantes do mundo eram chinesas. E os modelos mais avançados projetam uma tela flutuante na sua frente: tradução em tempo real, navegação e até um teleprompter que rola o texto. É literalmente um monitor no óculos, sem segurar celular.

A briga com a Meta (e o preço)

A briga com a Meta (e o preço)
Crédito: Óculos inteligentes com display (o 'computador no rosto') / Wikimedia Commons

A Meta tem o Ray-Ban Display por cerca de US$ 799, e a jogada chinesa é entregar uma tela parecida na lente por uma fração disso: a Rokid vende fora da China por volta de US$ 599, e modelos só de IA saem por uns US$ 280. É a mesma história de sempre — a China pega a ideia, resolve a cadeia de suprimentos e populariza o preço, transformando um gadget de nicho num produto de massa.

O mercado explode (e o recado sem hype)

O mercado explode (e o recado sem hype)
Crédito: Óculos com IA em exposição / Wikimedia Commons

Em 2025, a China vendeu cerca de 2,5 milhões de óculos inteligentes (alta de mais de 87%), e as projeções do IDC apontam para o mercado praticamente dobrar em 2026 (sendo honesto: projeção é estimativa, não fato). O recado, sem hype: não é para sair importando óculos amanhã, mas para ficar de olho — todo produto que virou febre (fone sem fio, smartwatch) nasceu caro no Ocidente e foi popularizado pela China. Os smart glasses estão nesse ponto agora, e entender a onda antes de ela chegar em massa ao Brasil é o que separa quem lidera de quem corre atrás.

Resumo em pontos

  • Xiaomi AI Glasses (2025): a partir de ~R$ 1.500 (1.999 yuans), 40g, câmera 12MP, vídeo 2K, IA por voz, pagamento por QR.
  • China domina a cadeia: +80% das empresas de óculos com IA são chinesas (BofA). 4 das 5 maiores fabricantes do mundo em 2025 eram chinesas (Counterpoint).
  • Alibaba Quark (IA Qwen), Rokid, Baidu, Huawei, XREAL, RayNeo. Modelos com tela na lente: tradução em tempo real, teleprompter, navegação.
  • Briga com a Meta: Ray-Ban Display US$ 799 x modelos chineses (Rokid ~US$ 599; só-IA ~US$ 280). China populariza o preço.
  • Mercado: ~2,5 mi de unidades na China em 2025 (+87%); IDC projeta praticamente dobrar em 2026 (projeção, não fato). É o próximo produto de importação em massa.

Fontes

SCMP e GizmoChina: Xiaomi AI Glasses (1.999 yuans, specs). TMTPost e BiggO (citando Bank of America): +80% da cadeia global é chinesa. UBI Research e Counterpoint: 4 das 5 maiores fabricantes chinesas em 2025 (RayNeo ~42%, XREAL ~28% no AR). IDC (via Futunn): ~2,46 mi de unidades na China em 2025 (+87%), ~23% do global, e a projeção de ~4,51 mi / ~45% em 2026 (FORECAST). CNBC e Yicai: Alibaba Quark Glasses (Qwen, Taobao/Alipay) e estreia global no MWC 2026. SCMP e CNBC/Gizmodo: Rokid (IPO em HK) e a batalha de telas com a Meta Ray-Ban Display (US$ 799). MacaoNews e SCMP: Baidu Xiaodu e Huawei entrando. Nota: os forecasts de 2026 são projeções do IDC (estimativa), e os market shares vêm de analistas (variam por metodologia).

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